É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 10/09/2021

A obra cinematográfica “Preciosa—uma história de esperança”, de 2009, aborda a vida de uma adolescente, vítima de abusos sexuais e, em consequência disso, foi forçada a enfrentar uma gravidez na adolescência. Fora da ficção, a realidade brasileira se assemelha, uma vez que, diversos indivíduos relatam o sofrimento em decorrência do estupro, cenário extremamente traumático. Nesse contexto, fatores como a cultura do machismo e a violência simbólica devem ser analisados.

Em primeiro plano, é fulcral pontuar acerca das raízes históricas que fortalecem esse crime. Sob tal ótica, é válido salientar o período anterior à Revolução Industrial, no qual as mulheres ainda eram vistas com inferioridade perante os homens, tendo que servi-los nas atividades domésticas, além da objetificação do corpo como fonte de prazer para o cônjuge. Essa cultura machista perdura na contemporaneidade quando inúmeras pessoas pensam, erroneamente, que podem violar o corpo do outro, a exemplo do estupro, o qual ocorre, majoritariamente, com o público feminino. Logo, é intolerável que esse panorama ainda seja frequente no corpo civil.

Em segundo plano, cabe comentar no que tange à “Violência Simbólica”, conceito do sociólogo Pierre Bourdieu. Segundo o pensador, é o processo em que se perpetuam determinados valores culturais, sendo que, essa prática legitima a cultura dominante, que é imposta e acaba por ser naturalizada. De maneira análoga, a cultura do estupro se encontra na percepção de Bourdieu, já que, além da banalização desse ato na cultura brasileira, normalmente a vítima é julgada culpada, seja devido as roupas “provocantes”, seja pela personalidade. Tal pensamento é totalmente descabido e injusto para com o envolvido, que é desacreditado e violentado simbolicamente pela sociedade.

Portanto, a fim de desconstruir o paradigma que rodeia a cultura do estupro e fortalece a violência simbólica, cabe ao Ministério da Educação promover o diálogo, na escola, acerca do assunto, por meio de rodas de conversas e oficinas com pais, alunos e comunidade. Esse momento será realizado mensalmente e tratará de assuntos relevantes, principalmente os que se relacionam aos estereótipos históricos, pois necessitam urgentemente serem quebrados e reformulados. Por certo, os indivíduos aprenderão sobre a cultura do estupro e suas consequências, e assim, o cenário vivido no filme “Preciosa” diminuirá progressivamente no corpo social.