É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 26/06/2022

O estupro pode ser considerado o mais agressivo, doentio e invasivo tipo de violência que uma pessoa pode sofrer. Além disso, a vítima de abuso sexual ainda tem que conviver com o trauma, o medo e o preconceito de algumas pessoas que acreditam ser ela a culpada pelo ato. Nesse contexto, vale ressaltar que há sim uma vítima que não pode ser culpada pelo abuso sofrido, situação essa que evidencia um problema estrutural no Brasil, que tem suas causas no machismo.

Portanto, não bastasse ser desrespeitada, estuprada e culpabilizada, a mulher vítima da violência ainda e silenciada até mesmo dentro de casa. De acordo com a pesquisa divulgada pelo IPEA (Institua de Pesquisa Econômica aplicada), estima-se que a notificações de estupros correspondem a 10% dos casos ocorridos no país. Vergonha, sentimento de culpa e medo são os principais fatores que levam 90% das mulheres violentadas sexualmente a se calar-se, o que constitui mais um índice de que a desconstrução de uma cultura, que legitima o estupro está sucedendo.

Ademais vale ressaltar que em diversas situações esse víeis tem como responsável o machismo, em que toma a mulher como culpado pelos abusos sofridos, legitimando o estupro para aqueles que não se adequam um modelo de mulher ideal. Em virtude disso, todos os anos cerca de 50 mil pessoas são estupradas no Brasil, segundo dados divulgados pelo anuário do Fórum Brasileiros de segurança pública. Institucionalizando assim uma sociedade omissa e irresponsável.

Para enfrentar essa situação, é necessário haver uma ação sinérgica entre diversos setores da sociedade: Estado, Escolas e população precisam agir conjuntamente para enfrentar esse problema. O Ministro de Segurança Pública precisa intensificar o alcance das Delegacias da Mulher, além de fornecer treinamento consistentes aos encarregados de lidar com esses casos, elaborando um material de capacitação e oficinas de formação. Á escola, cabe colocar a discursão acerca das questões de gêneros e tratar sobre machismo e violência com os alunos e alunas. Dessa forma, o combate a cultura do estupro caminhará, ainda que passos lentos, a extinção no Brasil.