É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 05/09/2022

“O importante da vida não é viver, mas viver bem”. De acordo com Platão, ainda na Grécia Antiga, é a qualidade de vida, e não a simples existência, o que deve ser valorizado. Porém, mais de dois mil anos depois, “viver bem” ainda se mostra uma difícil tarefa para as mulheres que enfrentam o combate à cultura do estupro no Brasil, haja vista os altos índices de casos de estupro. Desse modo, é essencial analisar os principais propulsores desse contexto hostil: o descaso governamental e a falta educacional.

Sob esse viés, é importante destacar, a princípio, que a inoperância estatal é um fato preponderante para a ocorrência dessa problemática. De acordo com Thomas Jefferson – terceiro presidente dos Estados Unidos – a aplicação das leis é mais importante que sua elaboração. Visto que, em decorrência dessa indiligência do poder público, cria-se um ambiente propício para parte da sociedade realizar uma série de condutas abusivas e intimistas, principalmente, contra as mulheres. Por isso, é notório que a omissão do Estado perpetua o deficitário acesso à cidadania.

Por outro lado, é fulcral salientar a culpa de parte da população à degradante situação das mulheres que apresentam entraves em suas vidas relacionadas a insegurança, sexualidade e abalo psicológico adquirido com o estressor. “O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles”. A afirmação, atribuída à filósofa Simone de Beauvoir, assemelha-se a situação de vulnerabilidade social presente nesse grupo, pois a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que o Ministério da Educação, por intermédio de especialistas, promova palestras e discussões acerca do tema – o qual irá abordar questões sobre a liberdade da mulher – a fim de reeducar a todos e descontruir hábitos preconceituosos para melhorar o convívio em sociedade. Deste modo, espera-se que as vítimas em questão recebam uma maior atenção do Estado e da sociedade para que possam, finalmente, “viver bem”.