É imprescindível o combate à cultura do estupro
Enviada em 29/03/2024
Desde a Revolução Francesa entende-se que o caráter participativo, além da razão e da justiça, são ferramentas essenciais para o progresso de uma nação. No entanto a realidade brasileira, infelizmente, contraria esse ideal, ao passo que a cultura do estupro ainda é um impecilho e uma questão recorrente no país. Nesse viés, em virtude do machismo estrutural existente na sociedade, a normalização da violência sexual é perpetuada e firmada.
De início, é necessário reconhecer a influência do machismo estrutural diante do problema, isso porque a cultura do estupro se origina, principalmente, da ideia de que as mulheres são uma propriedade do homem, feitas para os servir. Sob esse ângulo, é válido trazer ao debate a sociologia Baumaniana, a qual afirma que o indivíduo vive em um cenário volátil, no qual tem como principal perfil o individualismo humano e, por consequência, a dificuldade em compreender as adversidades alheias. E por conta disso, então, que o cidadão brasileiro, diante do combate à cultura do estupro, assume uma postura apática e inerte, visto que ele é incapaz de reconhecer, questionar e se importar com essa triste realidade recorrente na vida das mulheres.
Por conseguinte, a normalização da violência sexual tornou-se um caso presente na sociedade, dado que para a maioria da população a culpa é da mulher por estar usando roupas curtas ou, simplesmente, por estarem embriagadas. Nesse panorama, conforme o filósofo inglês Thomas Hobbes, a intervenção estatal é necessária como forma de proteção aos cidadãos de maneira eficaz. Entretanto, ao observar o contexto brasileiro, especificamente quando se trata do combate a cultura do estupro, entende-se que o Estado ainda é precário em opções, na medida em que não disponibiliza recursos para combater esse machismo estrutural, bem como atenuar os casos de assédio sexual.
Dessa forma, é importante que a cultura do estupro seja atenuada. Para isso, o governo, por meio de projetos educacionais, deve ensinar à população sobre a conscientização do sexo. Essa medida pode ser intensificada com divulgações nas plataformas digitais e em propagandas públicas, a fim de acabar com essa normalização da violência sexual.