É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 29/03/2024

Em 1983, uma mulher foi vítima de duas tentativas de assassinato por seu marido, deixando-a paraplégica. Ela resistiu as duas tentativas, embora tenha sido ignorada várias vezes, seu nome era Maria da Penha. Após anos de luta judicial, em 2006, foi promulgada uma Lei com o nome da própria, que visa proteger as mulheres contra a violência doméstica. Sua história evidencia um caso de um galho de uma grande árvore chamada machismo estrutural, que acaba por minimizar agressões físicas, verbais, e sexuais. O silenciamento, por não apenas ser utilizado apenas em agressões físicas, acaba desenvolvendo outro mal, este sendo a cultura do estupro. Essa cultura é um fenômeno que permeia diversas sociedades, onde atitudes, normas e crenças perpetuam a violência sexual e culpabilizam as vítimas. Assim como na história de Maria, o fenômeno se manifesta através de culpabilização da vítima, justificação do agressor, objetificação do corpo feminino e descrença nas denúncias de violência. Essa cultura, fruto do machismo estrutural, foi desenvolvida desde o início das civilizações, quando apenas nenhuma mulher podia exercer qualquer ofício a não ser manter a família e obedecer o homem, o que sustenta a ideia de submissão ao homem. Duas formas de combater isso seriam uma mudança nas formas de propaganda e no sistema educacional como a implementação de educação sexual desde a infância, campanhas para que a mídia seja menos sexualizada e objetifique menos as mulheres. A aplicação na educação pode começar em uma escola estadual, e dentro dessa escola, pode-se ser colocado um período de tempo de estudo para analisar como as crianças se desenvolvem com esse novo método, e dessa forma, recolher dados e criar uma forma mais efetiva ainda de aplicação no país inteiro. Essas mudanças requerem uma abordagem multifacetada, que envolva não só o governo, mas também os setores privados, porque caso o governo troque, a indústria ainda manterá o progresso.

Em conclusão, a cultura do estupro é um problema complexo, mas não insuperável. Por meio de intervenções abrangentes, que abordem suas causas estruturais e promovam uma mudança cultural significativa, podemos construir uma sociedade mais justa e segura para todas as pessoas, onde a justiça seja feita.