É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 31/03/2024

Em 2024, o jogador brasileiro de futebol Daniel Alves foi liberto de sua condena- ção por estupro na Espanha, após o pagamento de uma fiança de 1 milhão de eu- ros. Esse caso é apenas um dos milhares de exemplos que ocorrem todos os dias no Brasil de como a cultura do estupro está inserida em nossa sociedade. Abusos como esse continuam acontecendo, principalmente, pela perpetuação de falas ma- chistas e pela subnotificação deste crime.

Ainda no território nacional, é possível observar a presença de falas machistas impostas por indivíduos que não compreendem como estas compactuam para dar continuidade a um mal muito maior. Em 2014, o Ipea divulgou um levantamento no qual 26% dos brasileiros concordavam com a frase “Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”, esta pesquisa demonstra como a so- ciedade está corrompida com pensamentos e falas que acentuam cada vez mais a possibilidade de mulheres serem atacadas e abusadas.

Adicionalmente, muitas não se sentem confortáveis para realizar a devida subno- tificação dos abusos que sofrem, seja por medo de seus abusadores ou da reação das autoridades nas delegacias brasileiras. Na canção de Elza Soares “Maria da Vila Matilde” a cantora intimida seu abusador ameaçando chamar a polícia ou atacá-lo caso o mesmo chegue perto dela novamente. Reações como a de Elza são cada vez mais difíceis de acontecer visto que muitas mulheres são pressionadas pelos ho- mens que as abusam e essas, já fragilizadas, acreditam em tais falas e resolvem não denunciá-los. Este fator é influenciável também pelo alto índice de delegados homens em delegacias voltadas para a mulher, o que pode inconscientemente aca- bar coagindo essas moças.

Diante do exposto, é crucial que a Secretaria de Segurança Pública, responsável pela administração de todas as polícias do país, adicione mais mulheres nos cargos autoritários das delegacias da mulher, adicionando vagas em concursos públicos dedicadas a tal ato e, desse modo, as vítimas de abusos se sintam menos constran- gidas a denunciar as violências sofridas pelas mesmas.