É imprescindível o combate à cultura do estupro

Enviada em 22/10/2024

Segundo a filósofa Hannah Arendt, “A sociedade está insensibilizada pelo mal e, assim, não se espanta com ele”. Em consonância ao pensamento de Hannah, a realidade do país atual não é diferente, visto que o corpo social permanece sem atentar-se para as consequências da cultura do estupro, sendo esse um desafio a ser sanado. Indubitavelmente, verifica-se a necessidade de descontruir a omissão estatal e a falta de apoio midiático.

Cabe pontuar, em primeiro plano, que a inércia governamental é uma das causas dessa problemática. Nesse viés, o filósofo Thomas Hobbes argumenta que o bem-estar dos indivíduos é dever do Estado. No entanto, o governo mostra-se incapaz de promover políticas públicas necessárias para combater esse obstáculo que prejudica muitas vidas. Dessa forma, os casos de vítimas de abusos sexuais aumentam exorbitantemente, pois não há iniciativa governamental para solucionar esse problema. Todavia, é paradoxal que, em uma nação que prevê a sadia qualidade de vida, não se promova gestão eficaz da segurança.

Outrossim, vale salientar a negligência midiática como impulsionadora desse entrave. A esse respeito, a filósofa Simone de Beauvouir ressalta que, ‘‘O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles." Em paralelo a isso, observa-se uma sociedade totalmente alienada em relação ao número de casos de abusos sexuais na atualidade, gerando consequências como a falta de atenção e cuidado com o próximo no cotidiano. Logo, urge tirar essa situação da invisibilidade para atuar sobre ela, uma vez que mesmo a mídia tendo o poder de divulgar diferentes assuntos nacionalmente em pouco tempo, ela não é usada como ferramenta para conter o estrupro de pessoas.

Portanto, compete ao Estado, órgão responsável pela administração nacional, melhorar o sistema de ocorrências e apreensão, assim como a mídia deve concientizar a população sobre a importância de estar atento em todos os locais, por meio de debates e projetos sociais realizados por profissionais na área policial, com a finalidade de garantir que a sociedade não normalize essa situação e ser alcançado o bem de todos.