É imprescindível valorizar a cultural nacional

Enviada em 22/10/2019

No Brasil, a cultura nacional ainda é desvalorizada pela sociedade e Governo. Nesse cenário, é possível notar o empenho de artistas e escritores em remodelar a temática nativa e afastar-se dos moldes europeu e americano. No entanto, a globalização e a indústria de massa, somados aos insuficientes investimentos do Estado, fragmentam a busca pela identidade e cultura brasileira.

Historicamente, a cultura é o resultado da ação humana em seu meio, caracterizada pela manifestação de um grupo, uma etnia ou um povo. Desse modo, a sua valorização é primordial para relacionar os indivíduos com o ambiente em que vivem, já que ela constrói a identidade de uma nação e os torna único no mundo. Contudo, o brasileiro tem a predisposição de rejeitar qualquer tipo de arte produzida em seu país, como é o caso do cinema nacional em que alguns filmes são premiados internacionalmente, citando " O som ao redor" que no Brasil teve apenas 60 mil espectadores, segundo a Associação Brasileira de Cinematografia.

Outrossim, a globalização tem fortalecido a indústria de massa que consiste na produção de expressões culturais para atingir o maior número de pessoas com objetivo comercial e lucrativo. Com isso, o interesse das classes dominantes prejudica a construção histórica da sociedade, afinal, como afirmou o sociólogo Emile Durkheim, a cultura modela as atitudes e a forma de viver do indivíduo. Ademais, é nítido que o Estado torna como hábito a exclusão dos valores nacionais, deixando no limiar os investimentos em preservação e enaltecimento do patrimônio histórico do país, conduta observada no incêndio que destruiu o Museu Nacional no Rio de Janeiro.

Fica claro, portanto, que a cultura constrói a individualidade do ser humano Assim, cabe ao Ministério da Educação implantar no currículo básico, aulas interdisciplinares de valorização da cultura, por meio de apresentações artísticas dos acontecimentos marcantes brasileiros em datas comemorativas. É necessário, ainda, investimento em preservação do patrimônio histórico, mediante corte de gastos dos privilégios políticos e contratação de profissionais especializados em restauração e reconstrução do legado nativo. Por fim, a mídia deverá elaborar campanhas que incentivem a visitação a museus e exposições de arte e música nacionais, com o intuito de construir um saber crítico na sociedade.