É imprescindível valorizar a cultural nacional

Enviada em 04/01/2021

O livro “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, apresenta a história de Quaresma, um funcionário público que defende a cultura nacional. Nessa obra, ele possui uma forte postura nacionalista e defende a valorização e reconhecimento dos diversos elementos que fazem parte da história do Brasil. Em contrapartida, o sentimento de apreciação cultural não está plenamente presente na sociedade, apesar do país ser formado por uma miscigenação, ou seja, mistura de diversos costumes e tradições de diversas nações. Dessa maneira, a desvalorização das manifestações culturais ocorre devido à influência midiática e à falta de estudo e conhecimento dos hábitos nacionais.

Nesse contexto, cabe ressaltar que a Revolução Industrial, ocorrida na Inglaterra no século XVlll, proporcionou o avanço da tecnologia e inovação dos meios de comunicação. Dessa forma, as pessoas passaram a ter contato com outras culturas e, por isso, vangloriam o estrangeiro em detrimento do nacional. Nesse viés, a mídia se preocupa em transmitir apenas os aspectos positivos de uma determinada nação, de modo que os telespectadores passam a apreciá-la e compará-la com a própria pátria. Consequentemente, tal fato implica para o alcance da identidade brasileira, tendo em vista que a cultura do outro torna-se melhor e mais importante.

Ademais, a precariedade do ensino público corrobora para que o indivíduo não tenha apreço e conhecimento sobre os costumes do país. Nessa perspectiva, a Constituição federal assegura, no Artigo 205, a educação como direito de todos. Por outro lado, o estudo oferecido pelo Estado é desigual, ruim e não oferece os recursos necessários para que os estudantes estudem de forma efetiva a diversidade cultural do Brasil e a imprescindibilidade da valorização dela, priorizando a discussão de temas relacionados à história europeia e norte-americana. Nesse sentido, destaca-se o pensamento do filósofo Immanuel Kant, o qual afirma que o homem é aquilo que a educação faz dele, é perceptível que o ensino deve ser utilizado como “ferramenta” de reconhecimento das origens e das tradições para a formação do sentimento de coletividade.

Destarte, é crucial o reconhecimento da cultura por parte do povo. Logo, o Ministério da Educação deve oferecer palestras e eventos artísticos nas escolas públicas para os alunos que cursam o Ensino Médio e seminários aos funcionários das empresas públicas, visando proporcioná-los o acesso aos costumes do país oriundo. Outrossim, eles ocorrerão mensalmente, por meio de apresentações, exposições de acontecimentos históricos e de produções midiáticas nacionais. Portanto, o corpo social terá um maior entendimento quanto a importância da admiração cultural para a criação de uma identidade comum, assim como Policarpo do livro “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”.