É imprescindível valorizar a cultural nacional

Enviada em 30/07/2021

A “síndrome de vira-lata”, nome do costume brasileiro de valorizar os costumes estrangeiros em prol dos nacionais, é um dos efeitos da duradoura massificação cultural que assola o país. Essa homogeneização, intensificada pela mídia, desconecta os cidadãos das tradições patriotas, como o folclore brasileiro, o que dificulta a preservação do mesmo entre a população, com destaque aos mais jovens. Dado esse fenômeno, pode-se destacar como seus agentes: a tendência histórica do país de cultuar os elementos externos de forma mais vigorosa que os nacionais e a falta de investimento governamental e midiático na propagação da cultura endêmica.

Em princípio, nos primeiros séculos da exploração portuguesa no Brasil, a repressão da cultura indígena e africana era um pilar básico na Colônia, fator que, até os dias atuais, influencia os brasileiros a desprezar tais elementos, o que inclui o folclore nacional. Aliado a isso, a exaltação da erudição estrangeira, desde aquela época, com a valorização dos portugueses, reforça o sentimento de inferioridade do brasileiro no contexto moderno. Assim, com a globalização mundial, a massificação cultural no país fez com que os costumes brasileiros fossem atropelados pelos externos.

Outrossim, o consumo desenfreado da população pelos costumes estrangeiros divulgados por agentes midiáticos e governamentais faz com que a cultura nacional fique em segundo plano, a tornando menos lucrativa. Esse ciclo permite que o investimento na indústria cultural nacional seja a cada ano menor, como aconteceu no ano de 2020, visto que o Fundo Sensorial Audiovisual (FSA) teve um corte orçamentário em 43%, impedindo a produção da divulgação artística brasileira. Ainda assim, quando se adiciona o preconceito social, costumes como o folclore são ainda mais esquecidos.

Em suma, as produções tradicionais brasileiras, por motivos históricos, tendem a ser suprimidas pela sociedade, com destaque para o tradicional folclore, com sua origem indígena e africana, sendo o principal agente a massificação cultural. Dessa forma, as entidades midiáticas e governamentais devem promover o folclore e costumes brasileiros, utilizando-se de ambientes educacionais e as mídias, por meio de palestras e divulgação de registros dessas vertentes, para que essas características endêmicas sejam mais festejadas e preservadas que as externas, principalmente para os jovens brasileiros. Assim, a “síndrome de vira-lata” seria enfim superada.