É imprescindível valorizar a cultural nacional
Enviada em 29/08/2021
Na obra “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor brasileiro Lima Barreto, o personagem principal é um verdadeiro nacionalista que enaltece tudo o que tange à sua nação, o Brasil. Fora da ficção, no entanto, o comportamento da sociedade brasileira se distancia da conduta do personagem, de forma que a recorrente desvalorização nacional dificulta o completo desenvolvimento do país. Isso se deve ora pela homogeneização dos hábitos, ora pela aculturação aqui enraizada. Dessa forma, urge analisar as causas do problema e estratégias para reverter a situação. Em primeiro plano, é válido ressaltar que a padronização cultural contribui para a perda da identidade nacional. A respeito disso, pode-se citar o conceito de Indústria Cultural, dos filósofos Adorno e Horkheimer, no qual é dito que a indústria atual possui padrões de repetição com o intuito de formar uma estética ou percepção voltada ao consumismo e alienação. Isso, somado à facilidade de acesso aos produtos estrangeiros, contribui para a não valorização das expressões nacionais, uma vez que a lógica da cultura de massa visa ao lucro e não à manifestação e preservação do pluralismo brasileiro. Dessa forma, a sociedade verde-amarela, cada vez mais, deixa de lado as suas origens e se torna um símbolo da massificação cultural. Além disso, tem-se ainda a grande aculturação sucedida no Brasil durante grande parte de sua história. Tal fato pode ser explicitado em relação aos costumes indígenas e africanos presentes no país, visto que esses sofreram profunda intervenção da cultura europeia, que era considerada, pela classe dominante, superior. Dessa maneira, as demais culturas foram europeizadas, acarretando a construção de uma identidade nacional forjada e não representativa da constituição multiétnica brasileira. Como consequência disso, ocorre o que o escritor Nelson Rodrigues chama de “Complexo de vira-lata”, a preferência pelo que é proveniente de outros países em detrimento do nacional, uma vez que devido à aculturação ocorrida, a população busca meios de se encontrar no que provem do exterior. Infere-se, portanto, que os fatores supracitados são empecilhos para que a valorização nacional possa promover o desenvolvimento pleno da nação. Sendo assim, o Estado deve impulsionar o artesanato e a produção de produtos feitos por pessoas de diferentes grupos sociais, por meio da ajuda financeira, que deverá ser inclusa na Lei Orçamentária Anual, e do apoio na divulgação de tais artefatos, como em feiras de exposição, para que a massificação seja menor e a valorização nacional intensificada. Ademais, cabe à Secretaria Especial da Cultura, junto às escolas, disseminar informações a respeito dos patrimônios culturais do Brasil, por meio de palestras e dinâmicas interativas, com o fito de mostrar aos alunos a magnitude das diversidades existentes no país. Quem sabe, assim, amenizar-se-á o quadro de desvalorização brasileira, e mais cidadãos irão ter ciência da significância da Nação, assim como o personagem Policarpo Quaresma.