Economia Colaborativa: uma tendência no século XXI?

Enviada em 25/11/2019

“American Way Of Life”, ou estilo de vida americano, foi um termo criado e difundido no período entre guerras pelos Estados Unidos e que fomentou a ideia de que o consumismo era essencial para a felicidade e bem-estar do individuo. Atualmente, entretanto, vem-se mudando essa perspectiva, fato observado na  expansão da economia colaborativa - prática de compra e venda que visa reduzir o consumismo e o desperdício. Nesse sentido, o modelo adquiriu grande importância para a sociedade, mas ainda enfrenta problemas como a falta de uma regulamentação e a falta de confiança dos usuários.

A priori, a economia colaborativa tem ganhado cada vez mais espaço na sociedade devido a uma maior conscientização da população quanto as práticas de consumo e seus impactos, além da possibilidade de produzir lucros a partir de recursos já existentes. Diante disso, analogamente ainda na Idade Média observar-se uma forma de economia colaborativa, a banalidade, que era um imposto cobrado pelo senhor feudal aos servos para a utilização de bens de sua propriedade. Uber e Airbnb, por exemplo, não fogem a esse conceito, uma vez que há a utilização de um bem - carro e hospedagem, respectivamente - por um indivíduo e este irá pagar pelo serviço. Desse modo, essas empresas ganham cada vez mais adeptos, demonstrando a importância que elas adquiriram no cotidiano das pessoas ao oferecer uma alternativa mais barata, rápida, sustentável e sem tanta burocracia.

Ademais, a oferta desses benefícios sem uma regulamentação específica e sólida enfrenta alguns impasses, como no Brasil, que existe um confronto entre taxistas e motoristas de Uber, já que estes não pagam os mesmos impostos que os taxistas precisam pagar. Outrossim, o problema supracitado promove a falta de confiança do consumidor em relação aos serviços, tendo em vista que ao comprar produtos ou serviços ele não vai ter uma garantia de recebimento ou de ressarcimento do valor. Nesse âmbito, agir de maneira a resolver esses impasses é essencial já que o modelo é bom para o trabalhador e para o consumidor.

Destarte, a economia colaborativa minimiza o ideal proposto pelo “American Way Of Life”, porém precisa de uma regulamentação para o seu funcionamento adequado. Logo, para que os impasses sejam reduzidos, cabe a Gestão Federal regulamentar os novos serviços que ofertam o modelo de economia compartilhada. Para isso, devem ser criadas leis que legitimem seu funcionamento efetivo, impondo-lhes os impostos necessários e os deveres a serem cumpridos tanto com quem oferta o serviço quanto com quem o compra. Isso deve ser feito a fim de minimizar os embates entre praticantes da economia tradicional e da colaborativa e a população possa usufruir plenamente dos inúmeros benefícios dessas novas ferramentas.