Economia Colaborativa: uma tendência no século XXI?

Enviada em 26/10/2019

Os Kibutz, comunidades coletivas em Israel, vivem sob uma economia colaborativa, na qual desempenham atividades agrícolas. Felizmente, essa prática israelita que alia comércio e sociedade é uma tendência no século XXI, por aprimorar o modelo capitalista de produção, consolidado anteriormente. Em contrapartida, no Brasil, a intervenção estatal no mercado dificulta a prosperidade da economia colaborativa, por mais que ela já seja significativa.

Em primeira análise, faz-se importante destacar que com o capitalismo do século XX, as relações de produção eram verticalizadas, de modo que o comando para produzir vinha sempre dos detentores dos meios de produção, posicionados hierarquicamente acima dos trabalhadores. Com a economia colaborativa, é possível horizontalizar essa relação, haja vista o surgimento dos produtos a partir do contato interpessoal, onde as trocas de conhecimento e os canais de diálogo abertos possibilitam uma produção mais humanizada e próxima dos trabalhadores, sem hierarquias clarividentes. Assim, a economia colaborativa representa uma maneira orgânica de gerar valor, utilizando o próprio mercado capitalista para subverter lógicas de dominação.

Evidentemente, esse modo de realizar o comércio poderia ser aprimorado no Brasil, caso não existissem altos impostos e uma burocracia que dificulta a abertura de empresas. A título de ilustração, na Estônia, uma pessoa que deseja começar um negócio consegue realizar todo o processo pela internet e ainda receber autorização do governo em menos de uma semana, enquanto no Brasil, esse feito demora meses. Consequentemente, a economia colaborativa é prejudicada, pois, por mais que sobreviva aos entraves governamentais, seria muito melhor sem essas dificuldades desnecessárias, criadas pelo próprio governo.

Fica claro, portanto, a importância dessa economia para melhorar as relações de produção e o papel governamental como dificultador. Desse modo, o Ministério da Economia, responsável por administrar a política monetária do país, deve facilitar a realização de negócios com uma reforma tributária. Isso pode ser feito por meio de um texto-base (criado pelo próprio Ministério) enviado à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal para votação, contendo medidas para isentar fiscalmente empreendedores. Além disso, as Prefeituras Municipais devem promover maior agilidade para a abertura de empresas. Essa ação pode ser realizada através da digitalização de todo o processo, de modo que os empreendedores só precisem estarem conectados à internet para começar um negócio. Com essas medidas, é possível estimular a economia colaborativa, retirando entraves. Afinal, a maneira produtiva de Israel deveria ser vivenciada no mundo todo.