Economia Colaborativa: uma tendência no século XXI?

Enviada em 14/05/2020

É indubitável que a Globalização constantemente modifica a organização da sociedade e, em consequência, as diversas áreas intrínsecas à ela, como a política, o meio ambiente, e a economia. Contudo são inúmeras as contradições acerca das marcas deixadas pela globalização, na qual, ao passo que amplia a interação social e  facilita o acesso a lugares e produtos, colabora para a desigualdade e  recessões econômicas. Em virtude disso, como uma alternativa para atender e sanar as demandas e problemas sociais, surge a “economia colaborativa”, cujas práticas e benefícios gerados por ela ainda são escassas no Brasil, o que torna, assim, necessário analisar a questão.

No livro ‘‘Ensaio sobre a Cegueira’’ do escritor português José Saramago, constata-se a metáfora feita ao egocentrismo e ao individualismo do ser humano em frente aos problemas de seu redor, bem como a despreocupação em gerar uma melhor qualidade de vida às próximas gerações. Análogo à obra, a tendência da economia colaborativa no uso de produtos compartilhados, à medida que tal prática seja monetizada, é uma das alternativas para que tais impasses sociais criticados na obra de José Saramago - assim como são observados na realidade- sejam erradicados. No entanto, diante do individualismo maçante que a sociedade brasileira apresenta, ainda há a insistência em manter um modelo econômico arcaico e rígido, no qual o poder de aquisição de um produto é maior do que as noções de sustentabilidade e viver em comunidade, o que implica na importância de promover uma economia mais flexível e que atenda as necessidades financeiras de cada pessoa.

Ademais, é válido ressaltar que a economia colaborativa não atua apenas no âmbito econômico, mas engloba, também, questões ambientais e sociais. Diante das crises econômicas e do aumento do desemprego no Brasil, o novo modelo econômico, com o auxílio de aplicativos colaborativos, possibilita ao indivíduo empreender e entrar para o mercado de trabalho com maior facilidade. Além disso,  a prática do consumo compartilhado, fornece a construção de consumidores críticos e conscientes, de maneira que haja uma diminuição do consumismo e, em consequência, menor impacto na natureza.

Torna-se necessário, portanto, que a questão da economia existente no Brasil seja revisada. Em questão disso, a Organização Mundial do Comércio (OMC), em parcerias com empresas de pequenos e grandes negócios, deve organizar reuniões acerca da economia colaborativa, de forma a criar projetos que a ampliem  no mercado, como o aumento da construção de aplicativos e sistemas colaborativos, além do cooperativismo entre os fornecedores. Ademais, as instituições de educação deverão fornecer palestras e atividades lúdicas, além de incluir a disciplina de educação financeira como currículo escolar, de maneira que dissemine o hábito de empatia e sustentabilidade no Brasil.