Economia Colaborativa: uma tendência no século XXI?
Enviada em 29/07/2020
A primeira organização social dos gregos, os chamados genos, compartilhavam seus bens e serviços de pessoa para pessoa. Em analogia à esse fato, a economia colaborativa também se constitui nesse compartilhamento e é a mais nova tendência do século XXI. No entanto, apesar de ser um modelo de consumo consciente, é ainda pouco conhecido e utilizado devido a continuidade da relação de status que acompanha a posse de um objeto ou espaço.
Primeiramente, é fato que esse tipo de consumo possibilita um aumento da noção de comunidade do indivíduo, uma vez que ele aprende a compartilhar e, assim, reduz parte da desigualdade social. Além disso, essa modalidade de consumo evita também o desenvolvimento do consumismo, que já interfere na mentalidade das pessoas por meio da exacerbada influência midiática do dia a dia. Nesse viés, o consumo colaborativo é também consciente e proporciona aos seus adeptos a percepção de que não é necessário gastar seu dinheiro de forma irresponsável para se ter uma boa qualidade de vida. Por outro lado, o consumo colaborativo é também uma potencial fonte de renda e tem previsão de contribuir com quase U$ 340 bilhões de para a economia global, segundo estudo publicado pela “Market Analysis”.
Outrossim, é válido apontar que a posse de um objeto ou espaço ainda é supervalorizado na cultura capitalista de atualmente e torna-se sinônimo de status. Entretanto, o principal fundamento da economia colaborativa é a viabilização do acesso, de acordo com o tamanho da necessidade, ao invés da posse do produto. Ademais, não é necessário se ter o status adquirido pela ação do possuir, pois o apego material é prejudicial para a mente humana que sempre desejará ter mais e não se satisfará. Em contrapartida, ao contrário do que muitos pensam, não é preciso se desfazer de todos os bens materiais, como faziam os filósofos do cinismo (corrente filosófica do período helenístico grego) para participar da economia colaborativa, pois seu principado está no compartilhar.
Torna-se claro, então, que é inegável a economia colaborativa como tendência no século XXI e sua importância para a criação de uma mentalidade de consumo mais consciente. Portanto, é preciso que a cultura de status relacionada a posse de bens ou espaços seja desmitificada. Dessa forma, as escolas públicas e particulares devem apresentar um curso de economia, que se estenda ao longo do desenvolvimento da criança e do adolescente, por meio de uma grade curricular mais ampla e aprovada pelo MEC (Ministério da Educação). Nesse sentido, o futuro da nação brasileira se tornará mais informado em relação aos modelos econômicos, em especial a economia colaborativa, e estes transmitirão o que aprenderam aos seus entes queridos mais velhos.