Economia Colaborativa: uma tendência no século XXI?
Enviada em 06/08/2020
A Terceira Revolução Industrial foi marcada pelo incentivo ao consumo exacerbado, uma intensa tentativa de convencer o consumidor a adquirir determinado produto. Na contemporaneidade, observa-se uma mudança na forma de consumo característica do século passado, marcada pelo desenvolvimento e prática da economia colaborativa, um modelo de negócio compreendido pelo acesso a bens e serviços através do compartilhamento dos mesmos, ao invés da aquisição. No entanto, percebe-se a falta de estímulo e divulgação desse tipo de atividade econômica e sustentável.
Em primeiro lugar, contata-se que a elaboração de alternativas de consumo é imprescindível para a sociedade. De acordo com a linha de pensamento do sociólogo Karl Marx, no modo capitalista de produção, a aquisição de produtos de forma exagerada define a construção dos indivíduos. Contudo, a tendência do consumo colaborativo contrapõe essa ideia. Além da redução na produção de lixo pela diminuição do consumo, o compartilhamento de produtos auxilia o acesso a bens por um custo bem menor do que o mesmo teria se fosse adquirido de fato. Do mesmo modo, o impacto ambiental e financeiro reflete na forma como a comunidade estabelece suas relações com o mundo e com as pessoas. Nesse sentido, essa situação deve ser expandida para outras áreas da sociedade.
Outrossim, é possível constatar que apesar dos diversos benefícios proporcionados por essa prática, há carência de incentivo e divulgação. Mediante o histórico das propagandas destinadas ao incentivo ao consumo, a disseminação de exemplos de economia colaborativa pelos meios de comunicação tem sido afetada. À título de exemplo, a empresa de tecnologia que opera uma plataforma de mobilidade, a Uber, segundo dados da mesma, realiza o transporte de 103 milhões de pessoas do mundo e a divulgação do serviço por ela prestado foi essencial para sua abrangência. Diante disso, destaca-se a dificuldade de pequenos negócios e startups, com enfoque para o consumo alternativo, de encontrar seu espaço na mídia. Nessa perspectiva, esse quadro precisa ser revertido.
Portanto, urge que a prática da economia compartilhada seja garantida de forma efetiva. Logo, cabe às mídias digitais a função de realizar a propagação dos serviços distinguidos pelo consumo colaborativo, por intermédio da criação de um espaço na programação para sua realização, destacando os benefícios sociais, ambientais e financeiros; com o auxílio das empresas responsáveis pelas plataformas em que essa forma consumo se concretiza, para a execução de parcerias que possibilitem sua maior divulgação. Essas medidas, caso feitas em conjunto, podem contribuir para o aumento dos adeptos à essa maneira sustentável de utilizar bens e serviços no Brasil