Economia Colaborativa: uma tendência no século XXI?

Enviada em 06/09/2020

A Modernidade é marcada pelo processo de formulação do ambiente urbano e industrializado, fruto da consolidação de um sistema econômico baseado na construção e aculmulação bens. Contudo, diante das demandas contemporâneas, torna-se fundamental a reformulação da estrutura de consumo, sendo necessária a busca pela implementação do consumo colaborativo no Brasil. Para tanto, cabe analisar os entraves encontrados na conjuntura socioeconômica e político-educacional brasileira que dificultam a reformulação das práticas de comerciais em território pátrio.

É relevante destacar, primeiramente, que, segundo o filósofo alemão Karl Marx, a configuração do sistema econômico que rege uma sociedade é imprescindível para a compreensão dos mecanismos que a orienta. Sob a ótica marxista, o capitalismo ocidental é determinante na construção do ideário popular, que reverte-se no consumismo e na individualização — promovendo a aversão à coletivização e compartilhamento de bens e serviços. Como consequência disso, é desencadeado um ciclo de obsolescência programada, produção de lixo e exploração desordenada de recursos naturais que mostra-se economicamente e ambientalmente insustentável. Paralelo a isso, transformações coletivas, como o Renascimento e as grandes Revoluções Industriais, comumente, são acompanhadas por investimentos em educação e produção técnico-científica.

Nessa perspectiva, embora a destinação de verbas para pesquisa e desenvolvimento científico sejam essenciais na transposição para um sistema de consumo colaborativo, no ano de 2019, de acordo com a Folha de São Paulo, houve um corte 42% das verbas destinadas para a produção de ciência e tecnologia no país. Diante disso, urge a busca por modelos de sociedades que conseguiram, nas últimas décadas, construir espaços urbanos que valorizem o coletivismo e colaboracionismo a partir do progresso tecnológico, à exemplo da China, país pioneiro na difusão dessas práticas.

Portanto, evidencia-se a urgência por ações que promovam o consumo colaborativo nacionalmente. Cabe, assim, que o Ministério da Economia, em ação intersetorial com o Ministério da Educação, proponha, nas mais diversas frentes acadêmicas, o desenvolvimento de pesquisas qualitativas que objetivam elaborar estratégias para a destinação de recursos humanos e materiais na criação de uma rede de incentivo ao consumo consciente e ao colaboracionismo, a contar com do incentivo do poder público, partindo de estímulos na área educacional — com a criação de projetos de pesquisa e extensão que fornecem subsídios para transição sistemática nas comunidades em todo o país —, a fim de tornar o consumo colaborativo um pauta no país e promover avanços técnico-científicos que contribuam para mudanças estruturais, e graduais, no sistema de consumo brasileiro.