Economia Colaborativa: uma tendência no século XXI?
Enviada em 03/04/2021
A crise econômica de 1929 causou grande impacto na vida de milhares de pessoas, devido à crescente no número de desempregados. Assim, a nova tendência busca revolucionar o conceito de economia e alterar a forma de pensar das empresas para que simpatizem com a economia colaborativa. No entanto, há uma contradição entre a ideia e o que realmente acontece, visto que o individualismo e a estratificação social são reforçados em tal cenário econômico.
A princípio, o consumo colaborativo acontece por meio do compartilhamento de roupas, meios de transporte, apartamentos e objetos. Apesar disso, o portador divide suas posses por um preço a fim de lucrar em cima e comprar mais para continuar o ciclo. Dessa forma, é possível analisar que o ato de dividir não acontece de forma generosa e solidária, mas sim com uma visão capitalista de enriquecer e adquirir mais produtos. Segundo o sociológo Zygmunt Bauman, a sociedade possui falhas nas habilidades sociais e é inclusa em um processo de modernidade líquida. Por conseguinte, a individualidade é uma das características presentes nas relações sociais e econômicas frágeis descritas por Bauman que influencia diretamente no estilo de vida das pessoas.
Outrossim, a separação da sociedade em camadas sociais é uma herança sociocultural potencializada na economia colaborativa. Apesar do intuito estar alinhado com a redução da desigualdade social, o indivíduo passa por um processo descrito pelo sociólogo Émile Durkheim conhecido como coerção social, uma vez que é exercida uma pressão para ter acesso aos bens materiais das camadas mais altas da sociedade. Ademais, enquanto quem enriquece visa um maior número de aquisições para elevar o nível em que se encontra, a classe baixa trabalha para pagar poucas horas de uso de um objeto e não muda de camada.
Portanto, é necessário que o Ministério da Economia ministre palestras em empresas e indústrias, por meio de economistas experientes, a fim de divulgar informações sobre a economia colaborativa e como a tendência pode afetar os indivíduos, além de explicar quais são os pontos negativos da prática que reforça o individualismo e os pontos positivos em busca de uma revolução econômica na sociedade. Somente assim a fragilidade nas relações citada por Bauman será reparada.