Economia Colaborativa: uma tendência no século XXI?

Enviada em 05/07/2021

O fenômeno globalizador representa o intenso intercâmbio de informações, pessoas e capital, motivado pela crescente agilidade dos meios de comunicação e transporte. Assim, dentro desse contexto, surgem modelos de negócio submetidos à lógica do meio virtual, tal como a economia colaborativa, que, apesar de ser uma tendência na contemporaneidade, não possui seu acesso democratizado nacionalmente, muito menos globalmente.  Dessa forma, esse cenário é gerado tanto por uma realidade brasileira marcada por disparidades sociais, quanto pela exclusão digital no território.

Primeiramente, a carência de recursos mínimos à sobrevivência dos cidadãos do Brasil constitui um entrave ao acesso do modelo econômico compartilhado. Consoante a assistente social Aldaíza Sposati, a maioria do contingente populacional brasileiro nunca teve acesso ao mercado de trabalho formal, nem à sociabilidade ordinária. Portanto, grande parte da população do país apresenta-se excluída de condições para a garantia de uma vida digna, bem como do contato com os produtos e serviços da economia colaborativa, como o aluguel de casas e veículos. Desse modo, cabe ao Estado viabilizar a proteção dos direitos contidos na Constituição, tais como moradia, saúde e alimentação, para, por conseguinte, minimizar as desigualdades sociais e democratizar os benefícios da globalização.

Outrossim, a dependência da economia compartilhada com a Internet segrega os indivíduos excluídos digitalmente das formas de negócio contemporâneas. Logo, há uma relação entre poder econômico e acesso às novidades de uma época, já que, durante os movimentos de independência do Brasil, como a Conjuração Baiana, a população pobre ficava alheia às teorias iluministas que influenciavam a elite colonial. De forma análoga, no século XXI, seja por falta de infraestrutura, seja por ausência de dinheiro e oportunidades, uma parcela considerável de habitantes brasileiros apresenta-se apartada do meio digital e, dessa maneira, excluída da tendência do consumo compartilhado. Consequentemente, os grupos sociais desfavorecidos não usufrem dos avanços procedentes do processo globalizador.

Diante disso, para que haja a democratização da economia colaborativa, é necessário que o Ministério da Economia crie o Plano de Popularização do Negócio Compartilhado, que, por meio da criação de centros destinados ao oferecimento de empregos no próprio ramo e de cestas básicas, reduzirá a desigualdade social e a pobreza no território brasileiro. Tais centros deverão fornecer infraestrutura, tecnologia, acesso à Internet e assistência de profissionais de informática, a fim de diminuir a exclusão digital e facilitar o acesso ao modelo econômico colaborativo. Em suma, o Brasil fará com que essa tendência global seja aproveitada de forma igualitária entre seus cidadãos.