Economia Colaborativa: uma tendência no século XXI?
Enviada em 26/07/2021
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na realidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que o desinteresse da sociedade pela economia colaborativa no Brasil representa barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Diante disso, torna-se fundamental a análise dessa problemática, com ênfase na ausência de políticas públicas de fomento às empresas que têm como base o “on-demand” – sistema de aluguel de bens e serviços – e no apreço dos indivíduos pelo materialismo, fatores que favorecem esse quadro.
Seguindo esse contexto, deve-se ressaltar a inexistência de medidas governamentais de incentivo ao mercado de produtos compartilhados. Nesse sentido, o Estado, ao não estimular o crescimento de projetos on-demand, dificulta, no século XXI, grandes avanços no âmbito social, pois, com menores preços, essas empresas reduzem as desigualdades; na sustentabilidade, pois possibilitariam uma sociedade mais altruísta; e no setor econômico, ao reduzir a necessidade de estoques. Essa conjuntura, segundo as ideias do filósofo francês Émile Durkheim, configura-se como um fato social prejudicial, pois, infelizmente, prejudica o pleno desenvolvimento da sociedade contemporânea, dificultando a gestão do Estado frente ao crescimento populacional. Dessa forma, infelizmente, outros imbróglios são intensificados, como a desigualdade social e a poluição. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é fundamental apontar o desinteresse das pessoas pelo consumo colaborativo e o favoritismo pelo materialismo, fatores que agravam esse quadro. A exemplo disso, segundo um infográfico publicado pela Folha, apenas 1 a cada 5 brasileiros já ouviu falar de consumo compartilhado. Dessa forma, fica evidente que a economia colaborativa ainda se encontra nichada, já que a cultura de consumo, embasada no materialismo e na posse, ainda está enraizada na sociedade brasileira. Logo, é inadmissível que esse estado continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é fundamental que o Governo Federal, por meio da redução de impostos, incentive o crescimento de empresas embasadas na economia compartilhada, que contribuem para tornar seus produtos mais acessíveis, enquanto minimiza danos ambientais. Desse modo, torna-se possível, a longo prazo, a desconstrução da cultura materialista existente, bem como uma maior adesão de empresas e de pessoas a esse estilo de produção e consumo. Assim, será consolidada uma sociedade autossustentável, aproximando-se dos planos de More.