Economia Colaborativa: uma tendência no século XXI?

Enviada em 15/11/2021

A Constituição Federal Brasileira, promulgada em 1988, através de seu artigo 6, confere inúmeros direitos sociais aos brasileiros, entre eles, a educação. No entanto, no que diz respeito à Economia Colaborativa, essa premissa não é verificada uma vez que o tema, embora de extrema relevância, ainda não faz parte das grades curriculares das escolas públicas. Com isso, emerge um revés, em virtude da negligência governamental e da falta de consciência social.

Em primeira análise, a negligência governamental é um obstáculo a ser vencido para se alcançar maior visibilidade da Economia Colaborativa, já que apenas 1/5 dos brasileiros reconhecem o tema,  dificultando assim sua ampliação. Nesse sentido, Aristóteles diz, em seu livro “Ética a Nicômaco”, que a política existe para garantir a felicdade dos cidadãos. Entretanto, é fácil perceber que essa premissa de Aristóteles não se consuma na hodiernidade, uma vez que o Poder Público não cumpre devidamente o seu papel, deixando lacunas no sistema educacional, quando não priorizam questões de suma importância para o crescimento individual e coletivo,  que envolvem sustentabilidade, educação financeira e consumo compartilhado, sendo esses três, abarcados pela Economia Colaborativa. Desse modo, faz-se mister a reformualação da posição estatal.

Além disso, a falta de consciência social impede avanços da Economia Colaborativa. Segundo a Lei de Diretrizes Orçamentárias anual do Governo Federal, o valor disponível para investimentos públicos em 2021 é de 1,5 bilhão de reais, sendo inclusive, maior do que dos anos anteriores. Nessa lógica, é fácil perceber que o grande entrave do Brasil com relação às receitas públicas, não está em sua disposição, mas sim em sua distribuição, pois em matéria de consciência social acerca da Economia Colaborativa, há um evidente descaso de investimentos que se comprova pela ausência de programas que tratem desta forte tendência de consumo.

Portanto, deve o Governo Federal, através do Ministério da Educação, incluir o conhecimento de base da Economia Colaborativa nas escolas públicas. Tal inclusão deve ser feita de modo a apresentar a Economia Colaborativa no Ensino Fundamental, aprofundá-la no Ensino Médio e em conjunto com as tecnologias disponíveis, contribuir para o crescimento desta área, através de sua inserção em cursos técnicos ou graduações. Além disso, deve o Poder Publico, criar um conjunto de ações, por meio de campanhas midiáticas, com a finalidade de conscientizaçao do corpo social acerca do grande potencial  da Economia Colaborativa, com ênfase na sustentabilidade e educação financeira, que promovem bem estar à sociedade como um todo. Somente assim, será possivel ver os preceitos da Constituição se tornarem uma realidade mais próxima.