Educação para todos: como minimizar os problemas das escolas brasileiras?

Enviada em 31/08/2019

Raul Pompéia, em sua obra “O Ateneu”, retrata um internato que reflete a sociedade e sua divisão de classes relacionando as práticas de bullying e a opressão sofrida pelos alunos.Apesar de ser um exemplar de 1888, o seu contexto de violência denuncia a realidade de muitas escolas públicas brasileiras, somado à falta de segurança nesses locais. Nesse aspecto ,é fundamental que os locais de ensino e as famílias dos jovens se façam, intensamente, presentes na vida do aluno.

Em primeiro plano, é possível afirmar que a violência escolar aumenta, em muitos casos, devido ao aluno reproduzir na sala de aula aquilo que se vivencia em casa, como agressão verbal e física por parte dos pais, no convívio familiar e também nas ruas. Diante disso, com a atual conjuntura política e econômica do país, é notável a ausência de programas educacionais, a qual provoca uma despreparação de cunho pedagógico em relação a violência, em que a escola deixa de ser um espaço acolhedor e seguro. Consoante ao pensamento de Schopenhaur, de que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca, pode-se dizer que enquanto esses problemas não afetarem a vida da população, esta não dará importância e, assim, o fortalecimento desse tipo de pensamento é transmitido de pessoa a pessoa, agravando o problema no Brasil.

Além disso, é oportuno destacar o crescimento da prática de “bullying’’, a qual tem se tornado muito comum nas escolas, em que o aluno que sofre sente-se humilhado e rebaixado, podendo torna-se violento, assim como na obra de Raul Pompéia, em que o personagem Sérgio, após ser desprezado em seu ambiente escolar, tornou-se um jovem vingativo e um adulto precoce. Partindo disso, vale citar os inúmeros casos de massacres ocorridos nas escolas, muitos por alunos e ou ex-alunos vítimas de bullyng. Com isso, apesar da adoção de medidas de equipamentos como câmeras e alarmes ser útil, não é suficiente, baseando-se na teoria do efeito panóptico de Michel Foucault, em que os indivíduos controlam seu comportamento sabendo que seus superiores podem visualizar suas ações.       Compreende-se, portanto, que é dever do Governo Federal investir no programa Comissões Internas de Prevenção a Acidentes e Violência Escolar (Cipave), em parceria com as secretarias do governo, o qual foi implementado no ano de 2015 como uma rede de apoio às escolas, formando um circulo restaurativo envolvendo pais, alunos e professores. O objetivo é orientar a comunidade escolar sobre as mais diversas situações que ocorrem no ambiente escolar. Ademais, a mídia deve promover propagandas falando sobre o bullyng e suas consequências. Só assim, revendo regras e debatendo ideias, será possível fazer do ambiente escolar um verdadeiro aprendizado para a vida em sociedade e que deixe as histórias como o Ateneu apenas nos, fora da realidade.