Educação para todos: como minimizar os problemas das escolas brasileiras?

Enviada em 03/10/2019

É possível, por intermédio da linguagem simples e coloquial do poema “No meio do caminho”, de Carlos Drummond de Andrade, fazer uma analogia a respeito da gama de problemas enfrentados pelas instituições de ensino do Brasil. Acerca de tal análise, pode-se ligar a pedra, presente na obra drummondiana, às crescentes manifestações e repercussões das problemáticas no cotidiano dos brasileiros. Ainda, constata-se que o revés está atrelado não somente à inoperância estatal, mas também a ausência de melhorias nos modelos educacionais vigentes.

Em primeira análise, pontua-se o desleixo governamental como precursor do agravamento da situação. No livro “Ética a Nicômaco”, Aristóteles, defende que a política serve para garantir o bem-estar dos cidadãos. Porém, o descaso das autoridades públicas em relação à busca por alternativas para melhorar o sistema de educação básica fomenta a atual inadimplência do Estado em solucionar a mazela social. Porquanto, os dados divulgados pelo portal de notícias O Globo, os quais revelam que 11,3 milhões de brasileiros não são alfabetizados, exemplificam o desdém político-administrativo. Dessa forma, verifica-se a necessidade de uma reformulação nos valores e nas ações políticosociais, a fim de que o axioma aristotélico retorne ao cerne dos princípios governamentais e os acontecimentos supracitados possam ser mitigados à população.

Outrossim, o defasado modelo de ensino nas escolas regulares contribui para a acentuação da problemática. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, consoante à pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), seria racional acreditar que o Brasil possui um sistema de educação pública eficiente. Entretanto, a realidade é justamente o oposto e o resultado desse contraste é observado nas mais variadas adversidades perpetradas e difundidas nos centros educacionais, questões como o bullying e os elevados índices de evasão escolar ilustram o triste cenário da educação no país. Diante dessa realidade, medidas devem ser tomadas com o intuito de revertê-la, afinal, segundo Paulo Freire, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.

Logo, para que o triunfo sobre as adversidades impostas à educação seja consumado, urge que o Ministério da Educação, por meio dos recursos enviados pelo Estado, promova melhorias nos níveis inicias de ensino, de modo a aumentar a taxa de alfabetização. Ademais, essa ação deverá ser acompanhada de cursos especializados em alfabetizar os cidadãos que ainda não o foram. Ainda assim, recursos deverão ser aplicados no desenvolvimento de novos modelos educativos em busca de amenizar os índices de evasão escolar. Dessarte, a pedra poderá ser removida do caminho social.