Educação para todos: como minimizar os problemas das escolas brasileiras?

Enviada em 17/08/2020

Com o fenômeno da urbanização e o estilo de vida das grandes cidades, tem-se cada vez menos tempo para a socialização e, principalmente, para o ambiente e as demandas familiares. Crianças são inseridas mais precocemente em creches e escolas que tomam para si a função de educar o indivíduo para o mundo. Assim, tal inversão de papeis, associada aos baixos investimentos governamentais em educação, gera um ambiente de decadência e desinteresse por parte de alunos e professores.

Primeiramente, a falta de verbas compromete as instituições como um todo. A má remuneração de professores por todo o país é responsável pela desvalorização desse profissional, e consequentemente, sua desmotivação frente aos desafios diários de lecionar. A ausência de fundos também impede a incorporação de atividades lúdicas e socioculturais, pela escola, que beneficiem o convívio social entre profissionais, alunos e família. Desse modo, o baixo investimento estatal em escolas brasileiras impossibilita que esse ambiente se torne menos rígido e mais socioeducativo.

Cabe apontar a visão de Mário Sérgio Cortella que destaca a inversão de papéis protagonizada pelos familiares, na qual a instituição de ensino é responsável pela educação dos jovens. Assim, a família se abstém de impor limites e estabelecer quais condutas são apropriadas ou não em sociedade, o que acarreta o despreparo emocional e social dos estudantes. Tal cenário corrobora para episódios de violência dentro de salas de aula, nos quais o professor ao tentar exercer sua autoridade é comumente agredido moral e fisicamente. Consequentemente, com a falta de apoio familiar a instituição não consegue aplicar medidas corretivas, o que gera um ciclo de violência e o comprometimento do bem-estar e a segurança de professores e funcionários.

Portanto, é imprescindível a ação do Estado, para garantir melhores condições às escolas e que essas estabeleçam novos significados a vida estudantil dos jovens. Para isso, o Estado em conjunto com o Ministério da Educação deve aumentar as verbas destinadas às instituições para que essas desenvolvam atividades socioculturais e de lazer, a fim de criar parcerias entre comunidade e corpo docente. Ademais, é necessário que as Secretarias de Educação de cada município criem palestras e debates nas escolas, com a presença de psicólogos e pedagogos com o objetivo de estabelecer um diálogo construtivo e instruir os familiares na participação efetiva da vida escolar dos estudantes.