Educação para todos: como minimizar os problemas das escolas brasileiras?

Enviada em 17/08/2020

O conceito de escola, como uma instituição pública e madatória de ensino, é relativamente recente: foi apenas com o Iluminismo europeu, no século XVIII, que o estudo parou de ser uma prática exclusiva dos nobres e ricos. Essa inclusão das camadas populares, no entanto, é de difícil implementação, enfrentando até os dias atuais dificuldades relacionadas a fatores socioecônomicos diversos. Dentre essas, destacam-se a violência e a evasão escolar, ambas as quais são fundamentadas na desigualdade social premente na sociedade brasileira.

Primeiramente, a evasão escolar, ou seja, o abandono do ensino por parte do aluno, apresenta-se como uma problemática de vários motivos: instabilidade econômica, desilusão com o âmbito escolar, discriminação social de várias formas, falta de transporte, etc. Tais condições afetam drasticamente as taxas de escolarização brasileiras, com 64% dos alunos que ingressam no Ensino Fundamental abandonando os estudos antes de completar o Ensino Médio. Muitas vezes tais alunos começam a trabalhar mais cedo, para sustentar sua família, e essa necessidade econômica acoplada à falta de interesse no conteúdo descontextualizado do currículo escolar os leva a evadir a educação.

Em adição, a violência nas escolas é outro problema grave do ensino brasileiro, baseado nas mesmas condições precárias. Muitas vezes essa violência cometida pelo aluno têm raízes na situação própria ao seu ambiente doméstico, seja nas ruas ou em casa. Nesse sentido a escola, com sua estrutura hierárquica positivista, desencadeia a agressão internalizada pelo indivíduo pela pressão da sociedade, como afirma o filósofo Michel Foucault em sua obra Vigiar e Punir. Essa violência serve como um escape, uma reação às dificuldades de vivência desses alunos.

Tomando como objetivo a minimização prática dos problemas supracitados, uma reestruturação do ensino nacional cabe como solução, ao ponto que: contextualizem-se os conteúdos trabalhados em aula, voltando-os a um viés pragmático e útil, e aplane-se a hierarquia escolar, removendo a rigidez dogmática das relações sociais nela inseridas, transmutando o ambiente de ensino em uma atmosfera de cooperação, não controle. Essas medidas deverão ser tomadas sob a supervisão do Ministério da Educação, porém com significativa participação das instituições de ensino municipais, adaptando os meios educacionais às necessidades locais.