Educação para todos: como minimizar os problemas das escolas brasileiras?
Enviada em 21/10/2020
O Brasil, em 2017, ocupou o sexagésimo lugar no ranking em educação entre 76 países, segundo uma pesquisa realizada pela OCDE. Analfabetismo, evasão escolar e falta de investimento são alguns dos problemas que a educação brasileira enfrenta e, consequentemente, refletem no aumento da desigualdade social e econômica. A má administração do investimento em educação e a precária infraestrutura acabam por dificultar o acesso a educação e garantir uma formação escolar de boa qualidade.
Curiosamente, segundo a OCDE, em 2018, o Brasil investiu 4,2% do PIB na área da educação, enquanto a média dos países participantes consistia em 3,2%. Tais dados provam que não é a falta de investimento em si que torna os índices educacionais tão baixos, mas a alocação dos recursos em relação aos diferentes níveis educacionais. O investimento na educação básica, em 2017, era três vezes menor comparado ao ensino superior, segundo a OCDE. Essa disparidade atinge os primeiros anos acadêmicos do estudante, fomentando problemas que, possivelmente, o impeça de obter uma formação decente e de qualidade.
Concomitantemente, com esse problema, a falta de infraestrutura em algumas regiões brasileiras é outro fator que desacelera o crescimento educacional no país. Uma pesquisa realizada pelo SNIS, em 2016, mostra que 51,9% da população brasileira não possui acesso à coleta de esgoto. Do mesmo modo, o IPEA constatou que cerca de seis milhões de estudantes, da pré-escola até a pós-graduação, não possuem acesso à internet banda larga ou 3G/4G em casa. Tais distorções estão diretamente relacionadas a formação ideal de um estudante, pois acabam por atrapalhar e limitar seu potencial frente às exigências acadêmicas.
Por isso, torna-se urgente um atitude proveniente dos órgãos públicos a fim de garantir o acesso à educação proclamada pela Constituição de 1988. Para realizar esse objetivo, a União deve realocar, indispensavelmente, parte dos gastos com o ensino superior para o ensino básico, a fim de garantir maior investimento nesse nível, e então, proporcionar uma formação básica de qualidade para o maior número de estudantes possível. Do mesmo modo, o Estado deve amenizar os problemas de infraestrutura no território brasileiro, por meio da realização de parcerias público-privadas (PPPs), a fim de proporcionar menos empecilhos para o processo de aprendizagem dos estudantes. Como dizia, Sócrates, “existe apenas um bem, o saber, e apenas um mal, a ignorância.” Assim, constrói-se uma nação mais próspera e menos desigual.