Educação para todos: como minimizar os problemas das escolas brasileiras?
Enviada em 03/01/2021
Na obra ficçional Capitães da Areia, de Jorge Amado, o leitor é apresentado a vários jovens da periferia da Bahia que vivem das ruas. Esses meninos, em sua maioria, escolhem essa vida, outros caem nela devido à problemas socioeconômicos e raciais, refletindo a precariedade do sistema de educação e da preservação da juventude da década de 90. Não distante da realidade brasileira, milhares de jovens periféricos, devido a dura realidade da violência policial e das dificildades para ingressar nas escolas, escolhem sair das instituições de ensino e ingressar no mercado de trabalho ou viver das ruas, como os capitães da areia.
O estado contraria os Direitos Humanos e a Constituição Cidadã, que garantem o direito a educação, ao disponibilizar um número insuficiente de escolas e professores a áreas periféricas, como as comunidades e zonas rurais. Essas poucas escolas não são o suficiente para abrigar todos os estudantes da região, que em consequência, são obrigados a se matricular em instituições distantes realizando um movimento pendular desgastante e muita das vezes caro, já que o município não fornece ônibus para esses estudantes e o transporte é responsabilidade dos pais. Devido a essas dificuldades esses jovens preferem abandonar as escolas e entrar no mercado de trabalho.
Outra faceta dessa problemática nas escolas brasileiras é a violência policial nas zonas periféricas, a qual muitos estudantes são submetidos todos os dias, dentro e fora das instituições. O resultado dessa abordagem policial é refletido nos alunos se tornando mais violentos dentro das escolas, fato que podemos constatar nos inúmeros casos de agressão contra professores e alunos noticiados nas mídias, onde observamos o pensamento de Paulo Freire: “Quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser o opressor”. Percebe-se também que, como em os Capitães da Areia, muitos jovens em consequência do abandono das escolas e do abuso que sofreram escolhem entrar no mundo do crime e viver das ruas.
Dessa forma, é necessário para minimizar os problemas das escolas brasileiras um maior investimento em escolas e repensar a atuação dos policiais nas aréas periféricas. Cabe ao Ministério e as Secretárias de Educação construir novas escolas nas áreas periféricas e rurais com grande número de estudantes. Além disso, cabe as Secretárias de Desenvolvimento Social visibilizar os alunos carentes e promover subsídios para a educação desses, como forma de ajudar no transporte e permanência deles nas instituições de ensino. A atuação policial deve ser revista, de forma que, não se torne uma ameaça as populações periféricas e sim um apoio para o combate da violência e veículo para a promoção da ampla cidadania, para assim, o Brasil reverter a realidade dos Capitães da Areia.