Educação para todos: como minimizar os problemas das escolas brasileiras?

Enviada em 16/01/2021

A Constituição brasileira, promulgada em 1988, determina que é inerente a todo cidadão, independente de sua classe social, o acesso à educação. Fora do âmbito teórico, no entanto, uma parte considerável dos indivíduos da nação é privada desse direito básico que possui, devido a uma série de fatores, como o parco investimento estatal na infraestrutura dos colégios e a renda baixa de várias famílias do país.

Em primeira análise, em sua obra “A República”, o filósofo Platão determina que o ato de governar significa proporcionar o bem-estar máximo de uma população. Todavia, no que tange a garantir o melhor ambiente escolar possível, o Estado ainda é falho, visto que, em diversos centros estudantis, a verba recebida sequer consegue manter as despesas básicas. Nessa perspectiva, com um ambiente precário, muitos alunos se sentem desencorajados a estudar, já que constantemente o aprendizado é exíguo ou até mesmo nulo, devido a vários fatores externos dificultantes que o meio possui, como, por exemplo, ausência de higienização por falta de equipamentos de limpeza. Dessa maneira, o Brasil estagna em seu nível intelectual, e, por conseguinte, como sociedade, fato esse evidenciado pelo sociólogo Comte, que afirma que os aspectos citados evoluem apenas simultaneamente.

Concomitante a isso, a desigualdade econômica em que a pátria está imersa é um problema evidente. Nesse sentido, o pensador Sérgio Buarque, em seu livro “Raízes do Brasil”, evidencia que, em decorrência da baixa participação popular nas mudanças políticas ao longo dos anos, o establishment sempre manteve seus privilégios. Dessa forma, os menos afortunados, por estarem sempre em condições mais precárias, necessitam urgentemente da renda extra oriunda do labor dos filhos, o que força esses jovens a sair precocemente do mundo acadêmico, e, por consequência, de conseguir um bom emprego. Nessa lógica, essa parcela social, por nunca obter um trabalho qualificado, continua a exigir, sempre, a contribuição em tempo integral de seus descendentes o quanto antes  para poder sobreviver, formando, assim, um ciclo interminável.

Faz-se necessária, destarte, a reversão desse quadro crítico. Desse modo, cabe ao Governo criar projetos que reformulem completamente todo o ambiente estudantil, pela compra de novos equipamentos de ensino e criação de espaços melhores, com mais áreas de lazer e de pesquisa. O Poder Legislativo deve, também, ceder bolsas de estudo por aluno para cada família que esteja abaixo de certos requisitos socioeconômicos, com a condição de que os colegiais estejam presentes em pelo menos 80% das aulas. Assim, o Brasil poderá ser um país mais escolarizado e, enfim, o ideal proposto pela Constituição será real.