Educação para todos: como minimizar os problemas das escolas brasileiras?

Enviada em 22/05/2021

O filme estadunidense “Escritores da Liberdade” narra as dificuldades enfrentadas pela professora Gruwell no combate ao sistema educacional deficiente de uma escola, onde aposta em métodos inovadores de educação para mudar a vida dos estudantes marginalizados. Fora da ficção, as condições precárias das instituições de ensino brasileiras torna a democratização da educação um grande desafio. Assim, seja pela necessidade de garantir o acesso ao ensino para todos os brasileiros, seja pela urgência de combater o descaso governamental com o setor, essa grave problemática social requer intervenção imediata.

De início, cabe ressaltar que a Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro, preceitua, no artigo 205, que a educação é um direito de todos e dever do Estado. Entretanto, substancial parcela dos brasileiros ainda carece do acesso democrático a essa garantia, devido a desigualdades socioeconômicas, à violência nas escolas e à evasão escolar. Dessa forma, muitos indivíduos não obtêm o ensino de qualidade para o seu desenvolvimento cognitivo adequado,  o que reduz drasticamente as oportunidades de conquistar melhores condições de vida e a ascensão profissional. Sendo assim, enquanto a socialização do ensino não for efetiva, o direito se torna, na verdade, um privilégio.

Outrossim, segundo o economista britânico Arthur Lewis, a educação sempre foi um investimento com retorno garantido. À vista disso, é notório que, no Brasil, esse conceito é deturpado, uma vez que há uma grave inoperância estatal no que tange à garantia do direito educacional, em razão da insuficiência dos investimentos destinados a setor, a qual corrobora uma infraestrutura precária, com salas de aula pouco equipadas, e a má capacitação dos docentes, o que torna os métodos de trabalho obsoletos e incapazes de despertar o interesse dos alunos para o conhecimento. Logo, o descaso para com a educação inviabiliza o progresso da nação.

Portanto, o Ministério da Educação deve reformular o atual sistema educacional brasileiro e elaborar políticas públicas de democratização do ensino, por meio da destinação de investimentos equivalentes à demanda, possibilitando melhorias na infraestrutura das escolas, além de instituir cursos profissionalizantes para aprimorar a capacitação técnica de todos os professores. Isso deve ser feito com o intuito extirpar os graves problemas estruturais que assolam a educação brasileira e promover a prosperidade intelectual da população. Somente assim, será possível evitar que mais educadores lidem com as dificuldades suportadas pela professora Gruwell.