Educação para todos: como minimizar os problemas das escolas brasileiras?

Enviada em 10/08/2021

O escritor Machado de Assis, ao escrever a obra ’’ Memórias Póstumas de Brás Cubas’’, descreveu um autor-defunto, personagem que somente foi capaz de denunciar as patologias sociais depois de morto. Fora do contexto literário, é isso o que acontece quando se observa os diversos problemas que acometem as escolas brasileiras. Diante desse cenário aflitivo, faz-se urgente analisar a omissão do Estado e da sociedade para garantir uma educação de qualidade a todos os cidadãos.

Antes de tudo, é válido afirmar que a negligência da arena pública corrobora a consolidação de um sistema de ensino fragilizado e não raramente pautado em preceitos sociais arcaicos. Já dizia o sociólogo Zygmunt Bauman, em seu conceito de ‘‘Instituição Zumbi’’, que o Estado perdeu a sua função social, mas manteve a sua forma. Nesse sentido, o Poder Público é, na visão de Bauman, uma instituição morta-viva, visto que não impõe medidas efetivas capazes de garantir aos indivíduos todos os seus direitos, como a educação. Esse descaso pode ser comprovado quando se observa o sucateamento da maioria das escolas públicas do país, que muitas vezes não conseguem oferecer uma infraestrutura digna e segura capaz de conduzir de forma eficaz o ensino aos estudantes, Tal fragilidade do sistema educacional também é percebida em seu próprio modelo de ensino, que se fundamenta na absorção extrema de conteúdos e acaba negligenciando alguns aspectos cotidianos, como a cidadania, o que dificulta a formação de um bom cidadão. Dessa forma, faz-se crucial mitigar essas mazelas.

Além disso, destaca-se a inércia social como agravante do problema. A esse respeito, a socióloga Hannah Arendt afirmou, em seu conceito de ‘‘Banalidade do Mal’’, que o pior mal é aquele que ocorre de forma corriqueira e cotidiana. Nesse viés, o pensamento arendtiano revela-se fincando na hodiernidade brasileira, tendo em vista que parte do corpo social parece ter naturalizado as agressões físicas e a violência simbólica que a maioria dos estudantes sofrem nas escolas brasileiras. Essa dantesca realidade escolar apresenta laços estreitos com os próprios núcleos familiares dos discentes, dado que quando não é ensinado aos jovens a necessidade de diálogo e o respeito às diferenças, o preconceito e a violência acabam virando regras dentro do espaço escolar. Desse modo, torna-se necessária uma postura mais ativa da sociedade para combater esses problemas presentes nas escolas.

Fica clara, portanto, a necessidade de adoção de medidas para minimizar esses flagelos. Cabe ao Estado garantir os direitos do cidadãos, como educação por meio de uma rigorosa aplicação das leis com multas e prisões para quem as desrespeitar. Ademais, é necessário que o Ministério da Educação desenvolva palestras e debates acerca do assunto nas redes sociais em horários noturnos por meio de profissionais capacitados, como psicológos  a fim de eliminar a violência simbólica vivida nas escolas.