Educação para todos: como minimizar os problemas das escolas brasileiras?

Enviada em 28/09/2021

Assim como descrito por Foucalt no livro ’’ Vigiar e Punir’’ no capítulo ’’ Corpos Dóceis’’, o tecido social molda os indivíduos mediante a disciplina, que ao invés de criar seres reflexivos, forma pessoas robóticas. Para Foucalt, todos podem ser treinados para tornar-se qualquer coisa. Nesse viés,  vê-se que a discrepância de oportunidade na educação entre os jovens é uma ameça à democratização do ensino público. Ademais, nota-se também que essa situação interage visceralmente com a tese filosófica e traz à tona a árdua realidade do país. Logo, a influência familiar e o paradoxo político são uns dos autores desse impasse. Convém frisar, inicialmente, que a instrução acadêmica e familiar é um bem social, o qual é responsável por moldar a mentalidade e o caráter humano. À vista desse panorama, de acordo com a teoria ’’ Corpos Dóceis’’, o comportamento dos sujeitos são produto do meio educativo. Nesse prisma, destaca-se o poder do convívio, da infância até a fase adulta, na formação do senso crítico e da autonomia nas suas escolhas. Porém, sob um olhar crítico, se uma criança conviver em um meio no qual as pessoas portam uma valorização hiperbólica do trabalho braçal, o que não é cooperador para a criação cognitiva dela, consequentemente, há a possibilidade de incorporação desse traço comportamental em virtude da socialização. Logo, pode ocorrer a absorção e a reprodução dessa ideia e amplificar o aumento da evasão escolar por ação da lógica trabalhista, em alguns casos existem a necessidade em ajudar financeiramente, o que gera muitas mazelas sociais, como a desigualdade societária. Assim, urge uma mudança nessa mentalidade hereditária. É imprescindível salientar, paralelamente, que a inércia das esferas políticas é um fator intensificador dessa problemática. Em face dessa vertente, conforme declarado no Artigo 6.º da Carta Magna, o Estado, aliado à sociedade civil, necessita assegurar o caráter inalienável do direito à educação de todos. Sob essa cláusula democrática, paradoxalmente, vê-se que existe uma letargia estatal frente às garantias essenciais dos brasileiros. Por consequência, cria-se um ciclo vicioso de desigualdade no acesso à instrução acadêmica por efeito da precária infraestrutura escolar e falta de educadores em várias áreas, já que os mais vulneráveis, inúmeras vezes não só são afetados pela condição socioeconômica frágil e local de residência com nenhum saneamento básico, como também a concentração geográfica dessas escolas existente, sobretudo nas cidades litorâneas, o que gera problemas sociais, como fuga escolar e inclusão no mercado de trabalho, diversas vezes informal. Assim, necessita-se de uma metamorfose nessa falsa democracia educacional.  Portanto, atenuar os impactos nocivos da desigualdade instrução dos jovens brasileiros não será uma tarefa simples, contudo, pode ser possível mediante uma abordagem pedagógica sobre o tema. Posto isso, o Ministério da Educação, associado ao Ministério da Cidadania, é capaz de elaborar um projeto socioeducativo com base em livros filosóficos e auxílios financeiros aos melhores alunos. Essa ação pode ser composta por frequentes seminários e propagandas midiáticas que incluem problematizações e criações de reformas conscientes relacionadas aos perigos delimitados pela consequência, talvez irreversível, da precária educação nacional. Esse plano deve incluir a mediação de especialistas em psicologia e educadores, além de material didático sobre a relevância da erudição, com o fito de aprimorar o raciocínio autônomo dos mirins, a fim de mitigar a evasão escolar. Logo, o país poderá ser mais igualitário.