Educação para todos: como minimizar os problemas das escolas brasileiras?

Enviada em 29/09/2021

“O mais escandaloso dos escândalos é que nos habituamos a eles.” A afirmação, atribuída à filósofa francesa Simone de Beauvoir, pode ser facilmente aplicada aos problemas na construção da educação nas escolas brasileiras, já que mais escandalosa do que a ocorrência dessa problemática é o fato da população se habituar a essa realidade.  Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro, como a carência de investimentos financeiros na rede de educação básica e a ausência de políticas nos seletivos técnicos de profissionais qualificados para a área.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a disjunção de medidas governamentais que tange às deficiências estruturais. Nesse sentido, faz-se preciso o uso fudamental de leis que visam garantir um capital financeiro adequado para as escolas brasileiras, evitando assim a falta de  matérias didáticos, o uso de espaços inadequados, merendas insuficientes e a escassez de atividades extracurriculares de interação social. Essa conjuntura, segundo as ideias do sociólogo Émile Durkheim, configura-se como um ambiente patológico, em crise, que rompe toda harmonia social, visto que um sistema corrompido não favorece o progresso coletivo, o que, infelizmente, é evidente no país.

Ademais, é fundamental apontar a alta negligência nos postos de entrevistas dos seletivos de professores e coordenadores como  um propulsor dos conflitos sociais no ambiente escolar. Segundo, “Atitude Blasé” - termo proposto pelo sociólogo alemão Georg simmel no livro " The Metropolis and Mental Life" - ocorre uma imersão aonde o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que ele deveria dar atenção. Logo, saber fazer as perguntas certas evita a contratação de profissionais com baixa resiliência diante de dilemas éticos, os quais são de suma importância para a relação de diálogos entre os alunos. Nessa lógica, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, por tanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível  a ação ativa do Estado, por intermediário de leis, na elaboração de projetos educativos escolares, a fim de desenvolver debates entre docentes e discentes para propor intervenções que ajude evitar a evação escolar. Assim, considerá-se uma sociedade mais justa e íntegra, onde o Estado desempenha a harmonia social e o progresso coletivo como a nova patologia de Émile Durkheim.