Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 05/03/2022
Segundo o filósofo Habermas, os meios de comunicação são fundamentais para a razão comunicativa. Nesse sentido, o meio virtual é essencial para o desen-volvimento intelectual da sociedade. Entretanto, as redes sociais vêm sendo as pro-pulsoras da perpetuação e da intensificação de alieanações sociopolíticas respon-sáveis por distorcer a realidade e manipular seus usuários. Diante disso, para en-tender o efeito bolha atual, é imprescendível entender a origem do problema e seus desdobramentos.
Percebe-se, inicialmente, que o efeito bolha é caracterizado por um fenôme-no onde parcelas distintas da população compartilham de uma mesma visão par-cial e deturpada do mundo real. Sob esse viés, a filósofa Hannah Arendt menciona que “o maior isolamento é cercar-se de pessoas que pensam igual a você”. Com efeito, a relação entre tal comportamento e as redes sociais torna-se evidente, uma vez que as informações apresentadas a cada usuário são controladas por algorit-mos — uma ferramenta cujo objetivo é selecionar notícias e dados que melhor se encaixem com o perfil do indivíduo em questão, contribuindo, assim, com um forte agravamento do efeito bolha na socieade.
Convém pontuar, ainda, que é inegável o benefício socioecônomico que a tais bolhas sociais trazem para grandes empresas. Como exemplo, o documentário “Privacidade Hackeada”, publicado em 2019, fornece detalhes de como uma em-presa de dados chamada Camdridge Analytica foi capaz de influenciar o resultado das eleições americanas de 2016 através da manipulação das informações vistas pelos cidadãos em diversas redes sociais, o que gerou uma bolha com notícias ten-denciosas. Desta forma, fica explícito que as redes sociais tem o poder de causar mudanças profundas em grandes parcelas da população.
Infere-se, portanto, que é necessário perfurar estas bolhas através do estabelecimento de uma legislação promulgada pelas grandes empresas de tecnologia, como o Facebook, a acabar com o uso de algoritmos, de modo que os usuários das redes sociais não sejam levados a assumir posições errôneas devido recortes parciais da realiade. Dessa maneira, a internet poderá ocupar seu devido lugar como meio para a razão comunicativa, tal como prezava Habermas.