Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 07/03/2022
No romance “Fahrenheit 451”, do escritor estadunidense Ray Bradbury, a esposa de Murtag, Mildred, tem seu entretenimento controlado pelo governo, o qual seleciona a programação da televisão de modo a fornecer conteúdos complacentes com o gosto dos cidadãos. Analogamente à ficção, as redes sociais desempenham um papel ímpar no agravamento do “efeito bolha”. Nesse contexto, tal problemática advém da manipulação de dados exercida por essas plataformas, culminando na intensificação de polarizações ideológicas e de práticas intolerantes.
Em primeira análise, cumpre salientar que a pré-seleção de informações pelas mídias sociais contribui para a alienação dos usuários. Nesse sentido, algoritmos como o “EdgeRank”, do Facebook, realizam uma filtragem das postagens exibidas aos indivíduos com base nos dados gerados pela atividade destes nas redes. Assim, essas ferramentas determinam o que será disponibilizado para visualização segundo sua relevância para cada perfil digital. Dessa forma, ocorre a limitação do contato dos consumidores com opiniões divergentes de suas próprias.
Consequentemente, observa-se uma potencialização de radicalismos e de comportamentos discriminatórios dentro e fora do meio virtual. Sob esse viés, o documentário “O Dilema das Redes” ilustra os impactos da formação de “bolhas culturais” em sociedades democráticas. Na obra, são evidenciados os efeitos de extremismos políticos e do ciberbullying, por exemplo. Logo, nota-se que essa redução da interação com perspectivas divergentes influi negativamente na capacidade de discernimento dos internautas.
É evidente, portanto, que as “bolhas sociais” são agravadas pela limitação do universo cultural feita pelas redes sociais, ampliando polarizações ideológicas e atos preconceituosos. Urge, então, que o Governo Federal – haja vista sua função de zelar pelo bem-estar dos cidadãos – promova maior fiscalização das empresas de tecnologia, por meio do endurecimento das leis acerca da filtragem de dados pelas plataformas digitais, a fim de minimizar a manipulação. Ademais, o Ministério da Educação deve inserir na grade curricular a Educação Tecnológica, para instruir os alunos a adotar uma conduta ética no meio virtual e a respeitar pontos de vista diversos. Dessarte, será possível atenuar o “efeito bolha”.