Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 06/03/2022

Segundo o sociólogo Émile Durkheim, existem fatos sociais normais e patológicos. Nesse sentido, a polarização gerada pelas redes sociais é um fato social patológico. Sob esse viés, essa grave problemática não acontece somente devido à omissão estatal, mas, também, devido à negligência da mídia.

Nesse panorama, o descaso do poder público é um notório incentivador da escassez de diálogo entre partes opostas agravada pelas redes sociais. Sob esse viés, conforme o contratualista Thomas Hobbes, os indivíduos aceitam sair de seu estado de natureza para viverem em melhores condições, assinando o Contrato social. Nesse prisma, o desleixo do Estado é uma indubitável quebra da vontade geral, porque não impõe limites ao uso deletério de informações privadas por mídias digitais, consequentemente, deixa, como legado, um país cada vez mais dividido. Sob esse viés, o Estado é inóquo nessa situação, já que, infelizmente, não atua da forma que deveria na proteção dos dados de seus cidadãos.

Ademais, a escassez de devido foco dos meios de comunicação é uma imperiosa promotora do antagonismo ideológico presente nas redes sociais. Nessa perspectiva, de acordo com a filósofa Simone de Beauvoir, os principais problemas são aqueles que são naturalizados. Sob esse ponto de vista, a desatenção da imprensa ao efeito bolha (diálogo entre pessoas de mesmo pensamento somente) intensificado pela internet é uma banalização de uma adversidade grave, porquanto não usa do seu contato com a coletividade para expor as mazelas que assolam o país, assim, contribuindo para a exiguidade de conversa entre lados diferentes. Nessa conjuntura, a mídia é criminosa nesse caso, pois não cumpre sua função social de focar em problemas pertinentes à comunidade.

Portanto, para que haja uma redução na violência presente na “web”, os congressistas devem, com o apoio da opinião pública, deliberar leis de controle de mecanismos de indução ao comportamento de usuários, por meio da sanção do presidente. Além disso, os meios de comunicação devem, em parceria com a iniciativa privada, criar campanhas de conscientização sobre a necessidade do diálogo com seres que pensam de forma diferente, por intermédio de cartazes publicitários, a fim de tornar o país melhor e, conseguintemente, próspero.