Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 06/03/2022

A escritora Hanna Arendt afirma em seu livro “O conceito de Banalidade do mal” que quando uma atitude problemática ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Tal fato é presente na conjuntura atual da sociedade contemporânea, quando se fala no efeito bolha. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: o poder que os algoritmos das redes sociais têm na vida das pessoas e como as mesmas tendem a se tornar indivíduos mais intolerantes.

Em primeira análise, evidencia-se a grande influência do algoritmo das mídias sociais na formação de opiniões das pessoas. Visto que quando alguém reage a um tipo específico de conteúdo, automaticamente o mecanismo artificial daquela plataforma entende isso como interessante, e continua mostrando assuntos semelhantes, ocultando os demais. Sob essa ótica, um artigo do site Capital Digital aponta que as redes sociais e os mecanismos de buscas se tornaram os veículos mais influentes na procura de informação do mundo no século atual. Dessa forma, é imprenscindível a conscientização dos indivíduos sobre o poder desses algoritmos, não havendo assim um grupo peculiar de conteúdo exibido a eles.

Além disso, é notório que pessoas que têm acesso a somente ao mesmo tipo de assunto, tendem a se tornar seres mais preconceituosos e conservadores, uma vez que não analisam a conjuntura geral e ampla do problema. Desse modo, é preciso que os setores públicos, educacionais, tecnológicos e econômicos cresçam em conjunto, havendo a maior intervenção de autoridades virtuais no âmbito de alerta sobre o efeito bolha na internet, para que as pessoas busquem por conta própria conteúdos diversos, e não somente acessem os mostrados a eles. Consoante a isso, afirma o economista Sir Arthur Lewis, que educação nunca será despesa, mas sim um investimento com retorno garantido.

Depreende-se, portanto a adoção de medidas que venham conter o efeito bolha.

Dessa maneira, cabe à Polícia Federal criar códigos de leis apropriados e específicos para o ambiente virtual, como alertas sobre o poder dos algoritmos, a fim de conter a alienação de pessoas sobre assuntos ínsitos e obtendo o maior acesso as informações. Somente assim, a sociedade estará apta a evoluir, deixando de lado o fato proposto pela escritora.