Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 08/03/2022

Na obra “Utopia” do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos. No entanto, o que se observa na atualidade, é o oposto do que o autor prega, uma vez que a diminuição do efeito bolha, agravado pelas redes sociais, apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Dessa forma, em razão do silenciamento e da utilização de algoritmos pelas mídias sociais, emerge um problema complexo que precisa ser resolvido.

Primariamente, é preciso salientar que a falta de debates é uma causa latente do impasse. Sob esse viés, segundo a filósofa brasileira Djamila Ribeiro, “é importante ter em mente que, para pensar soluções para uma realidade, devemos tirá-la da invisibilidade”. Desse modo, nota-se uma lacuna em torno das discussões sobre o problema do efeito bolha agravado pelas redes sociais, visto que, em detrimento do papel passivo das escolas, o assunto é abordo de forma superficial com os alunos, o que corrobora com a falta de conhecimento da população acerca da seletividade das notícias e conteúdos recebidos. Assim, uma vez que a sociedade não reconhece a gravidade da problemática, sua resolução torna-se dificultada.

Ademais, outra causa para a configuração do transtorno é a utilização de algoritmos pelas redes sociais. De acordo com a Constituição federal de 1988, todo cidadão brasileiro deve ter a proteção do direito de personalidade e direito difuso de acesso à verdade assegurados. Dessa maneira, verifica-se uma forte intervenção dos algoritmos na garantia dos direitos da população, haja vista que, em prol dos diversos assuntos que os algoritmos filtram e selecionam, o conteúdo recebido por cada brasileiro é limitado em uma perspectiva, o que contribui com a alienação da sociedade. Logo, é substancial a mudança desse quadro.

Portanto, urge que o MEC - Ministério da Educação - crie, por meio de verbas estatais, uma campanha que realize palestras nas escolas e nas mídias sociais do Estado, a fim de promover a difusão do conhecimento acerca do funcionamento dos algoritmos e de diminuir o efeito bolha no Brasil. Tal ação pode, ainda, contar com a distribuição de cartilhas e materiais de apoio. Somente assim, a coletividade alcançará a “Utopia” de More.