Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 15/03/2022

Segundo o filósofo Pierre Lévy, vivemos em uma cibercultura, isto significa que o virtual influencia o real. Entretanto, nesse meio cibernético, por ação do algoritmo seletivo, que esconde pontos de vistas distintos do usuário, ocorre um efeito de isolamento, a chamada ‘’bolha social’’ de acordo com os cliques dados. Sob essa ótica, o efeito bolha que permeia o tecido social é acentuado pela virtualização da sociedade, configurando um dos problemas mais concernentes à modernidade.

Primeiramente, tal problemática afeta negativamente a convivência social com as diferenças, dado que inibe a troca de ideias pacíficas ao incentivar os indivíduos a relacionar-se apenas com pensamentos semelhantes aos seus. Em ‘’Ética da discussão’’, o filósofo Jurgen Habermas delineia que o diálogo em si é mais importante do que o convencimento do interlocutor; ou seja, em linhas gerais, ter contato com oposições é o que define um verdadeiro diálogo. Assim, posto que os sujeitos sociais modernos são aqueles sempre conectados pelas redes sociais, a curadoria invisível dos algoritmos impossibilita a vivência dessa ética, engendrando bolhas cada vez mais personalizadas e a comunicação precarizada.

Consequentemente, esse problema se reflete na sociedade favorecendo a paralisia intelectual da população. Prova disso, foram as eleições estadunidenses de 2016: segundo pesquisas do jornal BBC, as bolhas digitais promoveram a propagação de fake news acerca do candidato oposto à preferência do indivíduo. Sendo assim, a população se conformava com sua opção de voto inicial, uma vez que as fontes das quais recebia, continham informações que corroboravam para sua seleção eleitoral. Portanto, ao afetar diretamente a forma como enxergam o mundo, a personalização da internet promovida pelos algoritmos é um atraso à pluralidade de visões de mundo.

Destarte, a fim de que as condições para que Ética da discussão seja disseminada, urge medidas urgentes. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações - órgão público que regula as telecomunicações - deve oferecer educação midiática durante toda a formação escolar básica por meio de palestras periódicas sobre a problemática, ministradas por profissionais da área. Tal ação servirá para que, paulatinamente, a nação consiga saiar das bolhas impostas.