Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 14/03/2022

“A tecnologia move o mundo”. Com essa frase, Steve Jobs, fundador da Apple, afirma que as relações políticas, pessoais e econômicas existentes no mundo atual dependem nitidamente de ferramentas tecnológicas. No entanto, esse recurso quando mal administrado pode suscitar em graves problemas, como é o caso do efeito bolha, agravado pelas redes sociais. Nessa perspectiva, tal cenário nefasto ocorre em razão não só do negacionismo de muitos, mas também da ineficiência legislativa sobre o controle de dados.

Em primeira análise, convém enfatizar que a ignorância de parte da população frente ao assunto está entre as principais causas do revés. Nesse sentido, os indivíduos, ao fazerem o uso frequente das redes, tendem a aceitar que um determinado produto ou ideologia exposto no “feed”, por exemplo, são verdades ou um consenso no meio social, abandonando o senso crítico e a autorreflexão, configurando grupos sociais alienados. Dessa maneira, essas pessoas se comportam de acordo com a “atitude blasé”, teoria social desenvolvida pelo sociólogo alemão George Simmel, na qual a sociedade age com indiferença em situações que deveria dar atenção.

Além disso, vale destacar a fragilidade do poder público como impulsionadora da situação. De acordo com o terceiro presidente norte-americano Thomas Jefferson, a aplicação da lei é mais importe do que a sua elaboração. Contudo, percebe-se que essa ideia não é plenamente cumprida na contemporaneidade, uma vez que leis como o Marco Civil não limitam suficientemente as empresas a utilizarem os dados dos usuários computados nas redes sociais, o que por sua vez, perpetua o efeito bolha.

Portanto, medidas são necessárias para amenizar o quadro. O governo federal, responsável pela integridade de seus cidadãos, deve firmar novas políticas de privacidade nas redes sociais, que, além de limitar o acesso de dados dos internautas às corporações, democratizem a pluralidade de informações no ambiente digital, por meio de acordos com a mídia. Desse modo, a problemática poderá ser atenuada, de modo a construir uma sociedade mais informatizada.