Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 17/03/2022

Oscar Wilde, no século XIX, representou em sua obra “O retrato de Dorian Gray” um problema correspondente à sociedade hodierna: a fissuração com a própria imagem. Apesar de ficcional, o livro retrata Dorian, personagem princripal, que ao longo do romance “se enamorava cada vez mais de sua própria beleza e, cada vez mais, se interessava pela degradação da própria alma”. Nesse viés, é perceptível a semelhança de Gray com uma sociedade imersa em um efeito bolha que, por consequência, gera a degradação da saúde mental e a alienação.

Nesse cenário, a série britânica “Black Mirror” retrata uma comunidade construída e alienada pela quantidade de “likes”. Por isso, aqueles que não os possuem em escala suficiente são desprezados e excluídos pelos demais, o que significa estar fora do padrão. No meio social, tal fato é perceptível na agravante influência das redes de comunicação nas relações interpessoais, gerando problemas mentais como a depressão e a ansiedade.

Ademais, o documentário da netflix “O dilema das redes”, apresenta críticas relevantes sobre os algoritmos de personalização, visto que estes definem os tipos de conteúdos que serão consumidos pelos internautas. Dessa forma, apenas assuntos que fazem parte do perfil do navegador serão apresentados em destaque e, assim, as pessoas são categorizadas e consequentemente guiadas à alienção.

Portanto, o efeito bolha, problema agravado pelas redes sociais, é um tema relevante que requer soluções. Logo, o Ministério da Educação, órgão do Poder Executivo, deve fornecer as ferramentas necessárias para a formação do senso crítico nos cidadãos, por meio do acréscimo à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de uma disciplina instrutiva e debatível acerca dos entraves sociais, a fim de garantir a construção de um povo politizado e consciente. Desse modo, será facilitado o combate às bolhas sociais.