Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 24/03/2022

O filósofo Albert Einstein acreditava que desintegrar átomos era mais fácil do que acabar com preconceitos enraizados. Com base nesse principio, pode-se entender a convivencia das bolhas sociais para a vida humana. É confortável estar perto de pessoas com os mesmos gostos e opiniões, principalmente no contexto das redes sociais, que exibem informações com base no perfil pré-determinado de cada pessoa. Ao fazer isso, as bolhas sociais não apenas limitam as visões de mundo humanas, mas também contribuem amplamente para a disseminação da intolerância e do preconceito. Historicamente, os humanos têm procurado outros seres humanos, pessoas com pontos de vista, gostos e habilidades semelhantes, e essa característica cria uma sensação de segurança que é natural e propícia à formação do indivíduo. No entanto, essas relações muitas vezes oferecem apenas um ponto de vista, agravando o constrangimento quando expostos a diferentes pontos de vista. Então, recitar Einstein, desmantelar esses preconceitos enraizados em uma sociedade acostumada a viver em uma bolha de conforto exige muita sobriedade. A globalização e sua promessa de “unir as pessoas” foi refutada porque sua maior ferramenta, as redes sociais, é exclusiva no contexto de mostrar apenas o que o sujeito quer ver. Ao filtrar o conteúdo e a ilusão de acessar todas as informações, as redes sociais criaram uma nova bolha social na qual as pessoas são inundadas com notícias ao seu gosto, acreditando conhecer todas as opiniões. Na maioria das vezes, por acreditarem que têm essa onisciência, o ódio se espalha pelo desconhecido sem medo de ser informado sobre isso. Essa atitude permite que as pessoas empoderem outras para manipulá-las. Partindo da teoria de Durkheim de que a sociedade é um ser orgânico, pode-se entender que para uma sociedade funcionar bem, ela precisa que sua inevitável bolha social trabalhe em conjunto, usando suas diferentes perspectivas para criar um mundo igualitário. Para isso, o governo precisa incentivar a boa convivência com as diferenças na educação pré-primária e implementar sistemas inclusivos nas escolas, além de incentivar o debate e as semanas culturais. Dessa forma, além de poder lidar facilmente com seus próprios preconceitos, os adultos têm maior consciência crítica das informações que lhes são apresentadas.