Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 28/03/2022
Na obra “Corpo e alma do Brasil”, o sociólogo e político Florestan Fernandes é en-fático ao afirmar que se o povo brasileiro fosse suficientemente educado jamais a-ceitariam as condições de vida existentes no país. Ao considerar essa máxima co-mo ponto de partida para lançar argumento acerca da agravação do efeito bolha em função das redes sociais, é visível que tal problemática afeta o corpo social tupiniquim e deve gerar indignação. Nesse sentido, cabe não só analisar de que forma a influência parental agrava esse cenário, mas também inquirir por que o desejo de viver uma vida nas redes sociais com base em mentiras é um desafio.
Em primeiro plano, é preciso dizer que as crianças brasileiras no momento presente ja nascem sendo as empurradas aparelhos eletrônicos ao invés de serem incentivadas a interações sociais. Sob essa ótica confirma-se a percepção de Fernandes, na medida que uma vez educado, o brasileiro entenderia a importância de estímulos interativos para o desenvolvimento infantil. Isso é recorrente na visão parental como uma forma de distrair seus filhos, em contrapartida os viciando.
Ademais, a geração atual está constantemente mais preocupada na imagem que irão passar nas redes sociais do que em seu próprio comportamento dentro da sociedade, o que claramente lhes trazem conforto ja que se escondem por trás de uma vida que não os pertencem. Nessa perspectiva, ganha voz a filósofa Hannah Arendt, segundo ela, a escola é antes a instituição que se interpõe entre o mundo e o domínio privado do lar. À luz dessa ideia, vê-se que há falha escolar enquanto instituição interventiva social, pois não os conscientizam acerca da autoaceitação que está diretamente ligada a questão supracitada, postagens não condizentes.
Esse cenário alarmente revela a necessidade de mudanças acerca da formação do efeito bolha. Portanto, cabe a família em parceria à escola, o ato da criação de projetos extracurriculares, por meio da introdução efetiva de atividades interativas sem tecnologias que contribuem para o desenvolvimento infantil e trabalharem nos adolescentes a autoaceitação para diminuirem a supercialização e assim darem mais valor ao mundo real do que as “telinhas”.