Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 05/04/2022

O ser humano é um ser cultural em sua essência, segundo o sociólogo Battista Mandin, que aprende e reproduz comportamentos sociais. O efeito bolha é, então, o retrato da interação do homem com círculos da sociedade, possibilitando a perpetuação da intolerância, além do crescimento e formação da opinião pública com base em notícias infundadas, sendo um problema que é agravado pelo uso inconsequente das redes sociais.

No livro “A menina que roubava Livros”, ambientado na Alemana nazista, o autor Markus Zusak exemplifica como uma “bolha”, a partir do controle estatal nos meios de comunicação, é capaz de criar um ambiente de intolerância e discriminação na sociedade. De forma semelhante, a partir das redes sociais, os indivíduos tem a possibilidade interagir com pessoas que compartilhem dos mesmos pensamentos e, ao mesmo tempo, validam opiniões semelhantes enquanto rechaçam as contrárias, abrindo espaço para a propagação de ideais intolerantes. As redes sociais conseguem, portanto, agravar o problema do efeito bolha, por ser um local com comunicação irrestrita e sem meios de fiscalizar agressões de forma incisiva.

Além disso, no filme “Homem Aranha”, da Marvel, o jornal ficcional “Clarim Diário” tenta convencer a opinião pública, de forma falsa, de que o protagonista é uma ameaça a sociedade local ao manipular manchetes e notícias. De acordo com o Relatório Digital, no Brasil existem mais de 150 milhões usuários de redes sociais, as colocando dentre os principais veículos de propagação de informações no país. Dessa forma, o compartilhamento de notícias sem verificação de fontes, dentro de bolhas em redes sociais, tem a capacidade de gerar opiniões infundadas que influenciam diretamente em padrões de consumo, política e relacionamentos, físico e online, entre os usuários.

Portanto, para resolver esse desafio é necessário que o Governo Federal, junto ao Ministério da Justiça, articule com a Polícia Federal para investigar grupos que usam a rede para propagar atividades e ideias intolerantes, bem como ao sistema judiciário do país para regular e obrigar as empresas a, por meio de legislação específica, combaterem notícias falsas nas redes. E, dessa forma, ao reciminar a intolerância e a mentira, as instituições democráticas do país serão fortalecidas.