Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 06/04/2022
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê, em se artigo 5, o direito à informação como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática quando se observa a intensificação do efeito bolha pelas redes sociais, dificultando, deste modo, a universalização desse direito social tão importante.
Em uma primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a intensificação do efeito bolha pelas redes sociais. Diante disso, para Márcia Siqueira Costa Marques, professora do curso de Mídias Sociais Digitais do Centro Universitário de Belas Artes, em São Paulo, o estreitamento das mídias tem como consequência o aumento da intolerância e racismo, pois, para ela, um intolerante tende a reafirmar sua posição ao ver outras pessoas com o mesmo pensamento. Essa conjuntura, de acordo com as ideias do filósofo contratualista John Locke, configura-se como uma quebra do contrato social, já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadão desfrutem de direitos indispensáveis, como a informação, o que é evidente no país.
Ademais, é fundamental apontar o algoritmo das redes como intensificador desse efeito bolha no Brasil. Diante de tal exposto, a revista Capital Digital aponta a restrição da diversidade de conteúdos pelas pessoas como consequência da seleção pelas própria inteligência artificial, deixando a dúvida até mesmo à democrácia. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de se combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que grandes empresas da mídia social, como o facebook e instagram, devem lutar contra a intolerância, fazendo com que o algoritmo tenha uma função de mostrar aos usuários informações contrárias às que pensam, a fim de que o próprio possa ver outras visões sobre o mesmo assunto, podendo, assim, repensar e entender melhor outras pessoas. Paralelamente a isso, faz-se necessário que a polícia venha a intensificar sua busca, nas redes sociais, por pessoas que expressam opniões preconceituosas, a fim de resolver judicialmente e diminuir a intolerância em todos os âmbitos. Assim, consolidará uma sociedade mais democrática que cumpre seu contrato social.