Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 16/04/2022

Em “Escravos da tecnologia”, animação feita por Steve Cutts, ilustrador inglês que trabalhou para grandes empresas como Coca-Cola, a tecnologia fez da humanidade zumbis controlados e escravos dela. No enredo, há a utilização monótona dos aparelhos celulares, dificultando as relações e restrigindo conexões. Ao sair, da ficção, nota-se que esse cenário se faz presente na hodiernidade constituindo superficialidade nos relacionamentos e fomento na intolerância, os quais geram loops de abismos.

Com efeito, é nítido que a velocidade da inteligência artificial se relaciona com a rapidez que se faz “amizades”. Tal situação ocorre, porque desde a 1ª Revolução Industrial inicia-se uma era que otimiza fluxos de informações e difunde um ciberespaço. Contudo, com a mesma rapidez e entusiasmo que laços são criados, a superficialidade amorna e dissolve a ligação. Desse modo, gera-se um circuito de possuir milhares de seguidores e amigos, mas que mudam constantemente sem nutrir conexões verdadeiras.

Além disso, a seleção automática de conteúdos ocasiona uma certa restrição à imensidade de material existente e gera padronização de comportamento pelos membros daquele grupo, podendo suceder aos cancelamentos e intolerância. Uma exemplificação é a série “Elite”, a qual mostra como os estudantes de uma escola receberam de forma negativa a nova aluna Nádia, devido ao uso dde um hijab e por sua cultura muçulmana. Esse contexto, materializa-se no Brasil e nas redes sociais devido ao pré-julgamento sobre o que é desconhecido pelas bolhas sociais.

Portanto, cabe às plataformas digitais reformularem seus algoritimos por meio de uma seleção não automática do conteúdo, com o objetivo de difundir as diferentes personalidades e perfis, haja vista que a informação diversa mostrará mais de uma face dos assuntos e culturas. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação, por meio da nova reforma do Ensino Médio, promover atividades extras sobre cultura, ética e tecnologia, a fim de unir três pontos fundamentais necessários para desenvolver o respeito e minimizar a intolerância no meio físico e nas redes. Com isso, os loops de abismos não se tornarão realidade e tornar-se-á apenas ficção de uma animação.