Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 19/04/2022

Na época da Idade Média, a Igreja Católica detinha o poder de controlar a informação circulante nos feudos. Porém, o conteúdo disseminado muitas vezes não era verídico e, caso contrariada, o clero eliminava seus opositores. Em paralelo à história, a sociedade atual também se encontra em um contexto de conhecimento único com o surgimento das redes sociais e sua tecnologia manipuladora - acarretando no lixamento virtual coletivo.

A princípio, convém pontuar o efeito bolha que os aplicativos propiciam. Segundo a professora de Mídias Sociais Digitais do Centro Universitário Belas Artes: Márcia Siqueira, o algoritmo das redes estuda os gostos do usuário e o englobam um meio com pessoas de igual opinião, semelhante aos antigos feudos. Com isso, o indivíduo fica preso à informações únicas e não tem acesso à pluralidade de ideias e conceitos enriquecedores para a formação de seres de pensamento autônomo.

Outrossim, é imperativo ressaltar o comportamento da população ao se deparar com concepções antagônicas. No ano de 2020, o influenciador Byron Bernstein pediu sua namorada em casamento pelo “Twitter”. No entanto, o jovem cometeu suicídio após ser atacado virtualmente por usuários contrários à forma atípica da proposta. Sob esse âmbito, é notório que as pessoas - assim como a antiga Igreja Católica - apresentam um caráter agressivo com aqueles que não estão na mesma bolha social.

Em síntese, é nítido que o efeito bolha é prejudicial à sociedade. Portanto, cabe ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, em parceria com os aplicativos socias, promover uma maior diversificação no conteúdo apresentado nas redes, através de um reajuste no funcionamento do algoritmo - colocando assuntos e opiniões diferentes do que o perfil registrou ter mais afinidade. Além disso, é indispensável que o Governo Federal, junto com a Ouvidoria, disponibilizar um aplicativo de denúncias - possibilitando a vítima relatar e enviar provas de ataques virtuais - facilitando a punição dos agressores. Desse modo, é almejado que a população tenha contato com informações e pensamentos distintos - a fim de mostrar novas perspectivas -, que os casos de violência cibernética sejam punidos e que o Brasil se afaste da realidade da Idade Média.