Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais

Enviada em 29/04/2022

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se na ausência de problemas. No entanto, o que se observa na realidade é o oposto do que o autor prega, uma vez que ainda há problemas com a disseminação de informações em detrimento do efeito bolha, o que, infelizmente, dificulta a concretização dos planos de More. Nesse viés, pode-se afirmar que a negligência governamental e a invasão de privacidade agravam essa situação.

Primeiramente, é válido destacar que a displicência estatal potencializa tal cenário. De acordo com a Constituição Federal de 1988, todo cidadão tem direito ao acesso à informação. Entretanto, a realidade brasileira não condiz com o esperado, já que muitas pessoas são afetadas por essa negligência. Dessa maneira, é importante salientar que essa má administração do Estado pode provocar casos de intolerância e racismo, na população. Pois, ao ficar preso a uma única bolha de informações, a população acaba julgando como “errado” tudo aquilo que é diferente do seu cotidiano e, consequentemente, gerando uma condição de intolerância a diversos modos de vida.

Em uma segunda análise, a falta de privacidade nas plataformas atuais gera desafios éticos e morais do uso da inteligência artificial. Um dos episódios da

série televisiva “Black Mirror” mostra um aplicativo de relacionamento que juntava pessoas com base em estatísticas, tornando o usuário passivo na escolha. Dessa maneira, é visível que os internautas são expostos a um conteúdo limitado na internet em virtude de mecanismos filtradores de informações a partir do uso diário individual.

Dito isso, é necessário que o MEC, juntamente as escolas, promova campanhas ensinando as pessoas a pesquisarem sobre os fatos recebidos, por meio de palestras e cartazes. Também é necessário que o Ministério da Tecnologia e o MEC, juntamente com os canais de TV, realizem campanhas publicitárias, por meio de propagandas, visando uma maior conscientização da população sobre os riscos da IA na sociedade. Dessa forma, sendo possível viver em uma sociedade perfeita, tal qual Thomas More descreve em sua obra.