Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 06/05/2022
Piano Mecânico, obra de Kurt Vonnegut, tem como premissa a insatisfação de Paul, um homem rico que vive isolado da classe proletária, ao notar que sua reali-dade não passava de uma idealização que máquinas haviam projetado para si, im-pedindo-o que visse o mundo em sua totalidade. Paralelamente, na atualidade, uma situação semelhante pode ser notada nas redes sociais, em que um algoritmo é concebido para satisfazer os ideais de um usuário. Com isso em vista, um estudo acerca dos impactos dessa falsa totalidade ideológica torna-se necessário, além de uma análise do efeito bolha, o qual mantém os indivíduos alienados.
É importante destacar, antes de mais nada, o que caracteriza o efeito bolha, fe-nômeno que se prova cada vez mais nocivo aos usuários por seu potencial antide-mocrático. O efeito bolha é, em seu princípio, uma ferramenta de seleção automá-tica de conteúdos por algoritmos de inteligência artifical que auxilia no controle e organização do universo de informações flúidas e simultâneas que é a internet. A problemática se inicia quando 30% dos internautas, de acordo com o Instituto Verificador de Circulação, acessam os canais de notícias por meio das redes sociais, ocasionando um crescente sensacionalismo e partidarismo no meio jornalístico que procura conquistar revelância digital.
Em segunda instância, um estudo sobre as consequências que decorrem da falsa unanimidade de opiniões no âmbito das redes sociais mostra-se necessário. De acordo com Eli Pariser, autor do The Filter Bubble, o efeito bolha aprisiona os inter-nautas a serem expostos apenas aos conteúdos que lhe apeteçam, sendo impedi-dos de um panorama completo da verdade. Tal circunstância, no entando, caracte-riza uma violação do direito garantido na Constituição Federal de 1998, o qual se refere à proteção do direito inalienável à informação e acesso à verdade, garantin-do a austeridade da problemática do fenômeno sobre os internautas.
Diante dos fatos supracitados, cabe ao Legislativo criar projetos de lei de forma que exijam das redes sociais uma alternativa de organização de informações que não recorra a coleta de dados pessoais. Julgando que as pessoas estão presos às poucas opções disponíveis devido ao poder de monopólio dessas empresas, a me-dida é essencial, assim, o controle de informação pode tornar-se mais democrático.