Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 06/05/2022
Ainda no século XVIII, os Iluministas aprisionavam-se em exclusivos grupos para debate e compartilhamento de conhecimento. Hoje, no século XXI, devido às redes sociais, houve o agravamento desse efeito bolha, o que favoreceu o isolamento hu-mano progressivo. Diante disso, faz-se necessário avaliar os efeitos dessas redes na atual organização social, em particular, no que tange ao efeito bolha.
Em primeira análise, é necessário reconhecer que mecanismos como os algorit-mos das inteligências artificias têm relevante contribuição nesse cenário. De forma que, a seleção automática de conteúdo e a busca direcionada orientam o usuário à manutenção de pensamentos e opinião. Isso se dá porque, a partir do momento que o algoritmo trabalha, o acesso à diversidade de conteúdos — inclusive, de opiniões opostas — torna-se restrito àquela pessoa, o que reduz seu senso crítico e capacidade de discernir sobre as informações. Exemplo disso é o romance “1984” de George Orwell, em que “o olho que tudo vê” está sempre atento ao movimento das pessoas, com vistas à controlar a liberdade de pensamento humano.
Além disso, as redes sociais são agentes no agravo do efeito bolha ao sobrepo-rem indiscriminadamente opiniões altamente polarizadas, as quais geram polêmi-cas e dividem a sociedade em grupos diametrialmente opostos. Tal estrutura tor-na-se perigosa a partir do momento em, ao atingir os extremos, cria grupos extre-mistas e, muitas vezes, intolerantes — capazes de fazer levantes contra aqueles que se opuserem aos seus pressupostos. Exemplo disso são comunidades em re-des como o “Facebook” que organizam atos de caráter preconceituoso e discrimi-natório, aludindo a grupos como “Ku Klux Klan” e “Mão Negra”.
Diante dos fatos mencionados, é possível afirmar que o efeito bolha é altamente agravado pelo advento das redes, sendo fundamental combatê-lo. Para tanto, faz-se necessário que a mídia engajada, por seu amplo alcance, através das redes so-ciais, fomente campanhas de conscientização do usuário acerca do uso dos seus dados e transparência dos mesmos, com vistas a torná-lo ciente de tal realidade. Ademais, cabe às escolas, por meio de rodas de conversa, o debate sobre a pola-rização das redes, com o objetivo de formar cidadãos autônomos, quanto ao pen-samento, e inclusivos — abandonando práticas legadas de séculos passados.