Efeito bolha: o problema agravado pelas redes sociais
Enviada em 09/05/2022
“Para que serve a utopia?”. Por mais que esse lugar ideal seja inalcançável, segundo o escritor Eduardo Galeano, ele tem por objetivo fazer a humanidade evoluir em sua direção. Dessa forma, pode-se estabelecer uma comparação entre a visão desse autor e o efeito bolha no Brasil, já que, por mais que viver em um mundo sem a existência desse entrave seja improvável, a procura por soluções tende a levar a sociedade para um nível melhor. Nesse prisma, é importante analisar essa questão nas redes sociais do país.
De antemão, nota-se que, perante o efeito bolha, o poder público se mostra negligente. Isso porque há uma falha no processo de conscientização, uma vez que falta informar a população sobre, por exemplo, a importância de procurar, em suas redes sociais, informações em páginas com diferentes posicionamentos póliticos, o que prejudica a diversidade de informações e, consequentemente, o direito a informação dessas. Recorrendo às reflexões do escritor Gilberto Dimenstein, no livro “Cidadão de papel”, para explicar esse cenário, vê-se que, de acordo com ele, as garantias legais dos brasileiros se restringem às páginas da Constituição Federal, ou seja, não se efetivam na prática.
Também, pontua-se que o efeito bolha existe devido a um fato coercitivo. Como prova, verifica-se que a falta de investimento financeiro estatal na conscientização tem exercido influência sobre o comportamento de parte da sociedade, fazendo com que, algumas pessoas, por exemplo, evitem interações em suas redes sociais com pessoas que pensem diferente delas, causando assim uma intolerância social. Esse cenário pode ser explicado através dos estudos do sociólogo Émile Durkheim, os quais pontuam que a realidade tende a ser “moldada” por meio de um processo de coerção social.